Sahel

Eleições no Niger deverão re-eleger Mahmadou Issoufou

Os eleitores do Níger vão eleger no próximo domingo, 21 de fevereiro, o novo presidente da República, ocasião que é considerada uma oportunidade para a primeira transferência pacífica de mandatos desde a independência do país em 1960.

No entanto, a probabilidade disso acontecer é baixa uma vez que Mahmadou Issoufou- presidente desde 2011 – do partido PNDS-Tarraya, é apontado como provável vencedor e deverá mesmo evitar a necessidade de uma segunda volta, que teria lugar a 20 de março.

O partido no poder neste país de 19 milhões de habitantes, ‘encravado’ num estreito ao longo das fronteiras da Nigéria, do Benim e do Burkina Faso, tem vindo a perder popularidade sobretudo nos pólos urbanos, mas será o voto rural, influenciado por projetos que visam ajudar os pequenos agricultores ou pelas autoridades locais tradicionais, que decidirá o resultado eleitoral. Tal como aconteceu em todas as eleições anteriores, o partido no poder será o mais votado, ainda que seja provável a necessidade de formar uma coligação para governar.

Em 2011, o PNDS teve apenas 33% dos votos e teve que formar uma maioria com partidos menores e candidatos independentes. No total, 15 partidos irão apresentar um candidato presidencial e cerca de 30 forças partidárias vão concorrer pelos assentos da Assembleia Nacional.

O governo de Issoufou tem vindo a enfrentar várias acusações de corrupção ao mesmo tempo que lida com as consequências dos conflitos em países vizinhos, como a Líbia, o Mali ou Nigéria, que têm degradado de sobremaneira as condições de segurança nas zonas fronteiriças. Para lidar com esta situação, Issoufou aliou-se aos Estados Unidos da América na “Guerra Global contra o Terror, uma decisão embaraçosa para um líder socialista que declarou que tinha desenvolvido fortes relações pessoais com vários partidos socialistas europeus e que já foi considerado o mais ideológico dos políticos do Níger.

Em resultado da aliança com os Estados Unidos da América, o Níger tornou-se uma importante base para aeronaves não tripuladas (drones). No Mali, os militares do Níger integraram a coligação liderada pelos franceses contra os terroristas islâmicos. Na Nigéria, juntaram-se a uma força regional contra o Boko Haram. E nas fronteiras da Líbia e da Argélia realizam patrulhas conjuntas para controlar o tráfico de pessoas e o contrabando.

Pelo seu lado, as principais forças da oposição dão sinais de preocupação quanto ao facto de se poder assistir a um ato eleitoral fraudulento. A lei eleitoral foi reformulada e a Comissão Eleitoral promete recorrer à identificação biométrica, mas a atualização do registo eleitoral têm revelado falhas graves e tem estado na mira da oposição política.

A detenção, em dezembro último, do antigo Primeiro Ministro e candidato presidencial Amadou Boubacar Cissé, continua a levantar muitas dúvidas e a detenção temporária no início deste mês de um dos cantores mais populares do país e apoiante de Amadou, Hamsou Garba, tem contribuído para denegrir a imagem do atual executivo que é acusado de criminalizar os seus adversários.

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