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Líderes da Al-Qaeda tentaram acordo de paz com Mauritânia

Os líderes da Al-Qaeda tentaram negociar um acordo de paz com o governo da Mauritânia segundo documentos apreendidos pela Marinha dos Estados Unidos da América (EUA) quando penetrou no esconderijo de Osama bin Laden, no Paquistão em 2011. Os documentos foram divulgados na passada terça-feira pelo governo dos Estados Unidos.

Os documentos relatam discussões com vista a um acordo de paz, entre os líderes da Al-Qaeda e os afiliados da Al-Qaeda do Norte de África, em 2010,– também conhecido como Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQIM) – que teria de se comprometer a não realizar qualquer atividade militar na Mauritânia, durante um ano. O acrodo de paz poderia então ser renovado, refere o documento.

Em contrapartida, a proposta diz que as autoridades mauritanas libertariam todos os prisioneiros da Al-Qaeda e que se comprometem a não realizar qualquer ataque ao AQIM do território da Mauritânia.

No âmbito da proposta da Al-Qaeda, estava também o pagamento anual de um valor entre os 10 e os 20 milhões de euros (11 milhões de dólares -22 milhões de dólares) do governo da Mauritânia ao AQIM para compensar os militantes e prevenir o sequestro de turistas.

Os oficiais dos serviços de informação dos Estados Unidos que tomaram conhecimento dos documentos provenientes do esconderijo de bin Laden disseram não ter qualquer prova de que os intervenientes no acordo de paz teriam chegado a um entendimento, nem de que o grupo militante tivesse contactado qualquer entidade na Mauritânia para negociar o plano diretamente.

El Houssein Ould Nagi, consultor jurídico do presidente da Mauritânia, nega fortemente que o governo do seu país tenha alguma coisa a ver com tal negociação.

Ould Nagi sustenta que o seu governo sempre foi contra as negociações com terroristas e como tal nega a existência de qualquer tentativa de acordo entre o seu país e os líderes de Al-Qaeda.

AQIM, um grupo militante salafista sedeado na Argélia, apareceu publicamente pela primeira vez em Janeiro de 2007. Ganhou destaque entre os grupos militantes sobretudo pelos raptos de ocidentais para pedidos de resgate nos países da região de Sahel, incluindo a Mauritânia Niger e Mali.

Em Julho de 2012, o chefe do Comando militar dos Estados Unidos em África descreveu o AQIM como sendo o afiliado “mais abastado” da Al-Qaeda.

O plano da Al-Qaeda também referia como as «tréguas» com a Mauritânia permitiriam ao afiliado da Al-Qaeda colocar a sua estrutura numa retaguarda que permitiria ao grupo “concentrar-se na Argélia”.

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