Mali: Antigo ministro da Defesa, Bah Ndaw, escolhido como Presidente da transição

A escolha não beneficia de unanimidade e o movimento M5-RFP já anunciou que discorda porque não foi convidado a participar nas reuniões que acabaram por “eleger” o coronel-major na reforma Bah Ndaw como Presidente da transição, e o chefe da junta militar, o coronel Assimi Goïta, assumirá a vice-presidência.

No dia em que o Mali comemora o 60º aniversário da sua independência e na data limite imposta pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), Assimi Goïta, chefe da junta militar que passou a designar-se Comité Nacional para a Salvação do Povo (CNSP), que forçou a destituição do presidente Ibrahim Boubakar Keita (IBK), anunciou através do canal de televisão estatal a nomeação de Bah Ndaw como Presidente da transição.

A CEDEAO e a Comunidade Internacional, que alinhou a sua posição com a França, exigiam a escolha de um civil para liderar o período de transição. Uma exigência que não agradava ao CNSP e que astutamente conseguiu impor uma personagem que poderá agradar a ambas posições.

Na prática Bah Ndaw é um civil no entanto é também um militar na reforma com a patente de coronel-major. Bah Ndaw, conhecido como “O Grande”, devido à sua estatura física, foi também o efémero ministro da Defesa de Ibrahim Boubakar Keita (IBK). Apesar da ambivalência de Bah Ndaw, como actual civil e militar na reforma, a sua escolha conseguiu satisfazer a exigência dos apologistas de um civil para a Presidência da transição assim como dos defensores de um militar para as mesmas funções, que acreditam que um militar permanece para sempre militar.

Em debate estão ainda as competências exclusivas do presidente, que são “demasiadamente limitadas”, comparativamente às prerrogativas do vice-presidente, cuja função é assumida pelo coronel Assimi Goïta da CNSP. Permanece também em cima da mesa a complexa composição do governo de transição.

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