Sahel | Segurança

Mali: Encontradas valas comuns com 25 corpos

O exército maliano anunciou a descoberta, na segunda-feira, de três valas comuns com 25 corpos, aumentando a preocupação sobre o abuso das forças de segurança na luta contra os jihadistas.

A ONG  Kisal, que faz campanha pelos direitos humanos das comunidades pastoris, confirmou num comunicado que “25 corpos” foram encontrados em três valas comuns, e forneceu uma lista de 18 nomes de pessoas que, segundo a organização, foram mortas.

A descoberta ocorre depois de 25 pessoas da etnia Fulani, que são predominantemente pastores, terem sido detidas na semana passada pelo exército nas localidades de Kobaka e Nantaka.

Oumar Diallo, um membro da associação Fulani Tabital Pulaaku, declarou, na principal cidade regional de Mopti, que a primeira sepultura tinha sete corpos, a segunda tinha 13 e havia outras cinco mais na terceira.

As forças armadas têm enfrentando acusações crescentes de detenções arbitrárias e assassinatos extrajudiciais na sua luta contra os insurgentes.

Uma fonte do Ministério da Defesa disse à AFP que uma investigação foi aberta, mas negou “as acusações de execuções sumárias”.

Um residente de Nantaka relatou que o exército passou de casa em casa no dia 13 nas localidades de Nantaka e Kobaka, no lado oposto do rio Níger à cidade de Mopti, no centro, e teria feito várias detenções.

“Eles levaram os seus telemóveis e cartões de identidade. Depois, pessoas que eram (membros do) Songhai (grupo étnico) foram libertadas, mas todos os Fulani ficaram detidos”,disse.

O governador da região de Mopti, general Sidi Alassane Toure, recusou-se a fazer qualquer comentário quando foi questionado pela AFP.

As tensões e a violência intensificaram-se na área de Mopti nos últimos três anos, caracterizando os confrontos entre pastores Fulani e agricultores sedentários de outros grupos étnicos que acusam os pastores de conspirar com jihadistas.

Extremistas islâmicos ligados à Al-Qaeda assumiram o controlo do deserto ao norte de Mali no início de 2012, mas foram em grande parte expulsos numa operação militar liderada pela França, em janeiro de 2013.

Os insurgentes passaram a operar em áreas rurais, às vezes conquistando populações locais em troca de serviços básicos e proteção contra bandidos.

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