Crise | Sahel

Mali: Governo boicota “Fórum para a Reconciliação” em Kidal

O “Fórum para a Reconciliação” que iniciou esta segunda feira em Kidal não conta com a presença do governo de Bamaco nem dos grupos armados da Plataforma.

Fazendo referência à ausência do governo, a organização do Fórum pediu que Bamaco reveja a sua posição e que participe no sucesso “deste grande evento da paz”. Fonte do governo poupou na declarações e limitou-se a dizer: “Não haverá delegados governamentais no Fórum. Os compromissos assumidos pelos rebeldes não foram respeitados”.

Uma posição que foi seguida pelos grupos armados pró-governamentais, especialmente presentes em Kidal, e pela Força de Autodefesa e seus aliados tuaregues que também anunciaram que não iriam participar no Fórum. “Nós dissemos que todos devem participar. Se for uma única parte envolvida, não é um fórum ” disse à AFP Oumar Ould Mohamed Hamed.

Vários diplomatas em Bamaco confirmaram que não iriam participar na reunião por causa da ausência de governo e dos grupos pró-Bamaco.

Apesar do boicote do Governo maliano, estiveram presentes os secretários gerais da Coordenação dos Movimentos da Azawad (CMA), Oumar Mariko, presidente do partido SADI, representantes da MINUSMA e Barkhane, ONG, assim como várias entidades tradicionais e religiosas locais.

No discurso de abertura, que a e-GLOBAL teve acesso, Alghabass Ag Intalla lembrou a missão que tinha sido incumbida à CMA e à Plataforma após a assinatura acordos de paz, na sequência do processo de Argel, que previa que as duas organizações deveriam conjuntamente multiplicar os esforços para reduzir diferendos comunitários e contribuir na manutenção da segurança na região.

Alghabass Ag Intalla lembrou também que a realização do Fórum tinha sido acordada entre a CMA e a Plataforma com o objetivo de concluir o processo de reconciliação apoiado pelo Governo maliano e pela Comunidade Internacional. No entanto, para Alghabass Ag Intalla, a ausência da Plataforma no Forrum não “impedirá a vontade de defender a paz e a coesão social entre todas as populações da Azawad” e por esse motivo a CMA decidiu realizar o Fórum apenas em seu nome.

© e-Global Notícias em Português
Comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Topo