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Mali: Massacre de Fulas em Ogossagou poderá ser considerado Crime contra a Humanidade (ONU)

A Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização do Mali (MINUSMA) apresentou esta quinta-feira, 02 de Maio, as conclusões preliminares do inquérito sobre o massacre em Ogossagou contra a população Fula ocorrido a 23 de Março 2019.

Segundo a MINUSMA foi possível confirmar que na madrugada de 23 Março cerca de uma centena de homens armados, identificados como caçadores tradicionais dozos, acompanhados por uma dezena de homens armados com uniformes militares e à civil, levaram a cabo um “ataque planeado, organizado e coordenado” contra a aldeia de Ogossagou.

O ataque terá provocado um confronto entre dozos e alguns elementos armados Fulas que faziam parte do programa de “desarmamento voluntário”, os quais constituíam em Ogossagou um grupo de autodefesa. O grupo de caçadores tradicionais avançou na aldeia matando de “forma indiscriminada homens mulheres e crianças, e incendiando as habitações com tochas e combustíveis preparados para este efeito”, precisa a MINUSMA.

Durante a acção os atacantes mataram 157 membros da comunidade Fula, dos quais 12 pertenciam ao grupo de autodefesa. Entre as vitimas foram identificados Fulas que se refugiaram em Ogossagou após violências em outras localidades na zona de Bankass, tal como sobreviventes do ataque à aldeia Fula de Koulogon a 1 de Janeiro de 2019.

A MINUSMA constatou também que a maior parte das vitimas foram mortas por balas disparadas pelos atacantes dozos os quais incendiaram 220 barracas. A equipa da MINUSMA localizou ainda três valas comuns com pelo menos 110 corpos. No mesmo ataque 65 pessoas foram feridas com armas de fogo e armas brancas.

Segundo a MINUSMA o ataque contra os Fulas em Ogossagou poderá ser qualificado como Crime contra a Humanidade se for demonstrado que se insere num contexto de um ataque sistemático ou generalizado contra a população civil e julgado por um tribunal competente, ao abrigo do Direito Internacional Penal, especialmente do artigo 7 do Estatuto de Roma.

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