Sahel | Segurança

Mali: ONU adverte para o aumento alarmante de violação dos direitos humanos

Um especialista em direitos humanos das Nações Unidas alertou para uma deterioração “alarmante” da segurança, dos direitos humanos e da situação humanitária nas regiões norte e leste do Mali.

O alerta de Alioune Tine surge após dois ataques que ocorreram nos últimos dias contra forças internacionais, incluindo um atentado suicida em Gao que deixou pelo menos dois civis mortos e mais de 15 outros feridos.

Tine afirma que mais de 120 pessoas foram supostamente assassinadas num período de três semanas em abril e maio. Segundo o representante, os extremistas aproveitaram a falta de serviços básicos “para explorar as comunidades e colocá-las umas contra as outras”.

Alguns ataques foram atribuídos a grupos armados, incluindo o Movimento de Salvação de Azawad (MSA) e o Grupo de Autodefesa e Aliados Touareg IMGHAD (GATIA), notou o especialista da ONU.

O especialista senegalês referiu que a insegurança em curso no Mali, que tem sido caracterizada por raptos e assassinatos seletivos, obrigou à deslocação de comunidades inteiras, forçando mais de 650 escolas a serem fechadas nas regiões central e norte, afetando cerca de 200.000 crianças.

Tine também manifestou preocupação com os crescentes ataques contra as forças armadas do Mali, levantando preocupações sobre operações antiterroristas “que não respeitam os padrões internacionais de direitos humanos”.

A guerra no Mali começou em 2012, quando diferentes grupos armados começaram a lutar contra o governo pela autonomia para a região norte do país. A guerra matou milhares de pessoas e fez milhões de deslocados, criando uma crise humanitária no país da África Ocidental.

De acordo com Tine, mais de 4,1 milhões de pessoas precisam de ajuda alimentar, com mais de 250 mil sofrendo de desnutrição aguda.

O especialista – que tomou posse como perito independente sobre a situação dos direitos humanos no Mali a 1 de maio – apresentará o seu relatório ao Conselho de Direitos Humanos em março do próximo ano.

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