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Mokhtar Belmokhtar volta a atacar

A al-Qaeda do Magreb Islâmico (AQMI) reclamou, em comunicado, a autoria do atentado de 16 de janeiro em Ougadougou, mas a sua autoria coube, de fato, ao grupo jihadista do al-Murabitoun Battalion, uma fação da al-Qaeda liderada por Mokhtar Belmokhtar, líder terrorista que, deste modo, volta à ribalta meses depois de ter sido dado como morto.

Belmokhtar, 43 anos, conhecido como Mr. Marlboro’ ou ‘Incapturável’, é um veterano de guerra argelino que tem no currículo vários ataques sangrentos, entre os quais o ataque, em janeiro de 2013, a uma refinaria norueguesa na Argélia que causou 38 mortos.

Antes de fundar o al-Murabitoun, em 2012, Belmokhtar era um dos principais chefes militares da AQMI, considerado o ’emir do Sahel’, e dominava nesta região o tráfico de droga, de armas, de tabaco e de viaturas roubadas. Controlava igualmente a emigração ilegal e notabilizou-se pela organização de raptos de personalidades internacionais, como foi o caso de Robert Fowler, enviado especial das NU ao Niger.

Em 2012, Belmokhtar deslocou o foco da sua lealdade do al-Qaeda para o Estado Islâmico (ISIS) e e fundou al-Murabitoun. No entanto, em maio do ano passado, Belmokhtar voltou à órbita da al-Qaeda, tendo levado a cabo, pouco tempo depois, a ataque ao Hotel Radisson Blue, em Bamako, no Mali, cujo modus operandi replicou o atentado deste sábado na capital do Burkina Faso.

Deste modo, as atenções das agências de segurança internacionais voltam-se de novo para a AQMI e para Belmokhtar, depois de este ter sido dado como morto, em junho do ano passado, pelo governo líbio, na sequência de raides aéreos da aviação norte-americana. Já em 2013, o governo do Tchad anunciou ter elminado Mokhtar Belmokhtar. E em 2012, a imprensa argelina também relatou o seu desaparecimento num confronto entre o seu grupo jihadista e uma milícia tuareg separatista no norte do Mali.

Nenhum destes relatos se confirmou e Belmokhtar sobreviveu a todas as tentativas com vista à sua eleminação física, erigindo-se assim como a principal ameaça à segurança na região do Sahel atualmente.

 

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