Geopolítica | Sahel

Níger: Oposição retira-se das presidenciais

A oposição, muito crítica na primeira volta das eleições presidenciais, anunciou a sua retirada da segunda volta, prevista para o próximo dia 20, deixando o Chefe de Estado cessante, Mahamadou Issoufou numa situação delicada.

Mahamadou Issoufou, de 64 anos, que tenta um segundo mandato de cinco anos, tinha conseguido 48,43% dos votos na primeira volta das presidenciais de 21 de fevereiro, à frente do rival Hama Amadou, de 66 anos, que conseguiu 17,73% dos votos, detido desde 14 de novembro no âmbito de um processo controverso de tráfico de crianças.

O tribunal de Niamey deverá pronunciar-se sobre a condução, ou não, do processo a 23 de março, três dias depois do escrutínio, uma vez que Hama Amadou fez a campanha da primeira volta a partir da cadeia, sem poder dirigir-se publicamente aos seus apoiantes.

Denunciando um golpe de força do presidente Issoufou, para se manter no poder, a oposição, reunida no seio da COPA 2016 (Coligação para a Alternância Política no Níger), provocou esta terça-feira um terramoto político ao anunciar a sua retirada do “processo eleitoral em curso”. Apelou também “aos seus representantes que se retirem da CENI (Comissão Eleitoral Nacional Independente) ”, acrescentou o opositor Seini Oumarou que conseguiu o terceiro lugar no escrutínio, afirmando que se expressa em nome da oposição.

A COPA já tinha ameaçado não reconhecer como válido o resultado da primeira volta, acusando o poder de “fraude”. Por seu lado, o partido vencedor na primeira volta, defende que as eleições decorreram de forma “livre e transparente”.

A oposição enumerou vários motivos para justificar esta política de lugar vazio para a segunda volta. Sublinha que não ocorreu a proclamação oficial dos resultados da primeira volta e que a campanha para a segunda volta foi encurtada de “21 para 10 dias, violando a constituição”, demonstrando a “desigualdade de tratamento entre os dois candidatos”. Hama Amadou foi “injustamente privado da sua liberdade violando os parâmetros internacionais de eleições livres, imparciais e democráticas”, segundo a COPA que “acusa o presidente Issoufou e o tribunal Constitucional como únicos responsáveis pela degradação da situação sociopolítica no Níger”.

As autoridades asseguram a realização de uma segunda volta do escrutínio, apesar da retirada da oposição.

O ministro do Interior Hassoumi Massaoudou, declara que a desistência “não nos surpreende. Os principais candidatos estão ligados a M. Issoufou. Perante a sua derrota, eles (opositores), retiraram-se para não serem vencidos. Não são democratas”.

De acordo com as projeções e os relatórios das sondagens da primeira volta, o presidente Issoufou vencerá com grande vantagem a segunda volta.

Mais de 7,5 milhões de eleitores afluíram às urnas na primeira volta, neste país do Sahel de 18 milhões de habitantes, entre os mais pobres do planeta e vivendo sob a ameaça dos grupos jihadistas.

A campanha eleitoral para a primeira volta das eleições foi marcada pela violência entre os apoantes do presidente e os opositores que contestam a regularidade do arquivo eleitoral. A campanha foi precedida de da detenção de personalidade e o anúncio de uma tentativa de golpe de estado, impedido pelas autoridades. O presidente Issoufou tinha esperado uma vitória à primeira volta, assegurando um orçamento, uma segurança recuperada e um programa “copiado pela oposição”.

Os opositores tinham denunciado a mà governação e sublinhado a incapacidade de travar a pobreza no país, classificado entre os últimos no índice do desenvolvimento humano.

 

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