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Emigrantes lesados do BES ameaçam voltar a manifestar-se em Paris

Os emigrantes lesados do BES ameaçam voltar a manifestar-se em Paris “se continuarem a ser esquecidos”, disse Helena Batista, vice-presidente da Associação Movimento dos Emigrantes Lesados Portugueses (AMELP).

“Vamos voltar às ruas de Paris se não houver novidades nas próximas semanas. Os emigrantes estão a ser esquecidos. É mesmo a emigração que está a ser rebaixada e mal tratada. Oito mil famílias estão à espera que aconteça um milagre. Oitenta por cento das pessoas tem mais de 60 anos. Isto é inadmissível”, lamentou Helena Batista.

A dirigente da associação sublinhou que os portugueses residentes no estrangeiro se sentem esquecidos porque “o caso dos lesados do papel comercial está a ser tratado” ao contrário dos “verdadeiros lesados do BES, os pobres emigrantes que sofreram vidas inteiras para amealhar poupanças”.

A AMELP, registada a 02 de fevereiro, vai ser apresentada oficialmente este sábado, em Gentilly, na região de Paris, na presença dos advogados da associação, sendo esperadas pelo menos 200 pessoas nesta sessão, porque a associação já tem 260 aderentes e inscrições todos os dias, segundo Helena Batista.

“Esta forma oficial de apresentarmos a associação aos nossos aderentes é para mostrar que estamos unidos e que acreditamos que vamos conseguir alguma coisa. Não queremos ser esquecidos”.

Helena Batista explicou que a AMELP nasceu da vontade de “oficializar o MEL [Movimento dos Emigrantes Lesados do BES/Novo Banco]” que no ano passado organizou manifestações em Paris para reclamar a devolução das poupanças dos portugueses residentes no estrangeiro.

A associação reúne os emigrantes que não aceitaram a solução proposta pelo Novo Banco em julho. E a propósito, Helena Batista sublinhou que “não se trata de uma birra de umas centenas de pessoas que não quiseram aceitar a solução”, porque são “centenas de pessoas que não tiveram solução nenhuma”.

“Vamos continuar o mesmo trabalho, mas agora vamos ter mais atribuições em termos jurídicos e vamos poder fazer coisas que não podíamos fazer até aqui. Por exemplo, em termos de negociações, poderemos representar os emigrantes como pessoa coletiva, algo que o MEL, como movimento civil, não podia fazer”, explicou.

A AMELP vai manter o apelo lançado aos emigrantes em outubro para que não enviem mais dinheiro para Portugal, o que já está a ser feito, segundo Helena Batista, porque pela primeira vez em muitos anos, as remessas para Portugal caíram 21% em janeiro.

 

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