Portugal estagnado no combate à corrupção

De acordo com a associação Transparência e Integridade, o combate à corrupção está estagnado em Portugal com a manutenção de escândalos públicos de falta de ética e alegadas tentativas de controlo político dos Conselhos Superiores da Magistratura e Ministério Público.

“A acumulação de escândalos de falta de ética na vida pública, a inoperância de uma Comissão para a Transparência no parlamento – que em três anos ainda não produziu resultados – ou as tentativas de controlo político sobre os Conselhos Superiores da Magistratura e do Ministério Público são a tradução prática de uma falta de vontade política que é evidente e reconhecida pelos observadores externos que compõem este índice”, afirma em comunicado o presidente da associação, João Paulo Batalha.

“O facto de o Governo se ocupar em disputas com a OCDE sobre o impacto da corrupção na economia, em vez de levar a cabo uma estratégia nacional de combate a este flagelo, mostra bem que a política vigente continua a ser a de tentar mascarar a realidade, em vez de enfrentá-la”, disse o responsável.

De acordo com a ONG, Portugal perdeu um lugar no ‘ranking’ de 180 países, descendo do 29.º para o 30.º posto, apesar de ter subido um ponto em comparação com o índice de 2017.

O índice de 2018 mostra que Portugal se mantém abaixo da média da Europa Ocidental, com uma pontuação de 64 pontos numa escala de 0 (percecionado como muito corrupto) a 100 (muito transparente). A média da Europa Ocidental e da União é de 66 pontos, valor que perdura desde 2017.

Dinamarca e Noruega ocupam as duas primeiras posições do índice, com 88 e 87 pontos, respetivamente. A terceira posição do ‘ranking’ é ocupada ‘ex aequo’ pela Finlândia, Singapura, Suécia e Suíça, todos com uma pontuação de 85 pontos.

Na parte inferior do índice estão a Somália, o Sudão do Sul e a Síria, com 10, 13 e 13 pontos, respetivamente.

Por regiões, a Europa Ocidental e a UE (com uma média de 66 pontos) detêm a melhor pontuação. Já a África subsariana, com uma média de 32 pontos, tem o pior resultado, seguida de perto pela Europa Oriental e a Ásia Central (uma média de 35 pontos).

No continente americano, o Canadá regista a nota mais alta (81 pontos em 100 possíveis) e a Venezuela a mais baixa (18 em 100 possíveis).

Este índice é elaborado com base em 13 fontes de informação entre as quais relatórios do Banco Mundial, do Banco Africano de Desenvolvimento, Fórum Económico Mundial, do Economist Intelligence Unit ou da organização não-governamental Freedom House.

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