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Guiné-Bissau: Cipriano Cassamá renuncia ao cargo de Presidente da República Interino

O recém empossado pelo o governo de Aristides Gomes como Presidente interino do país, Cipriano Cassamá renunciou ao cargo tendo alegado que por falta de segurança não vai dirigir o país, mas também pretende evitar qualquer possibilidade de guerra na Guiné Bissau. “Em decorrência destas fortes evidentes ameaças renuncio ao cargo de Presidente interino para que fui investido com todos os efeitos legais em salvaguarda de interesses maiores e voltar ao exercício pleno do cargo de presidente da Assembleia”, disse Cipriano Cassamá na sua residência em Bissau

Segundo a vice-presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Maria Odete Costa Semedo, “é bom que saibam que foi forçado a fazer isso, ele não vai dizer. Mas nós, o PAIGC assumimos essa fala, porque ele sentiu-se fragilizado e a sua família também, então entendeu que a saída para salvar a sua vida é renunciar”, assegurou. Odete Costa Semedo falava este domingo 1 de Março momentos depois de ser tornada pública a posição de Cipriano Cassamá, na residência do próprio presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP).

Aristides Gomes diz ser o primeiro-ministro legítimo, mas sem qualquer poder, e reafirmou que a sua vida corre perigo. O primeiro-Ministro demitido pelo Presidente da República Sissoco Embaló denunciou na sua página nas redes sociais que: “um grupo de militares acabou de invadir a minha residência privada em Bissau e levou a viatura do corpo de escolta tendo partido o vidro de uma segunda viatura. Proferiram ameaças de morte contra os meus seguranças se estes não abandonarem o serviço e contra a minha pessoa se não renunciar uma função para qual foi nomeado legalmente e com base nos resultados eleitorais”, lê se na página do PM. Aristides Gomes.

O Presidente da República da Guiné-Bissau recém empossado, Sissoco Embaló, consolidou o seu poder com uma mobilização militar que tomou o controlo de diferentes órgãos de poder de estado em Bissau. Embaló, través do Twitter, confirmou uma acção militar em curso, referindo que “os soldados da Guiné-Bissau ocuparam e asseguraram os Ministérios”.

Umaro Sissoco Embaló, dado como vencedor da segunda volta das presidenciais da Guiné-Bissau pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), tomou posse simbolicamente como chefe de Estado guineense na quinta-feira, sem aguardar pela decisão do Supremo Tribunal de Justiça que está ainda a analisar o contencioso eleitoral interposto pela candidatura de Domingos Simões Pereira, candidato derrotado da segunda volta das eleições, que alega a existência de irregularidades no processo.

Após a exoneração do PM Aristides Gomes, através de um decreto presidencial, registaram-se movimentações militares, nomeadamente na rádio e na televisão públicas, onde os funcionários foram retirados dos seus postos e as emissões foram suspensas.

Laurena Carvalho Hamelberg

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