Brasil: Tiroteios no Grande Rio provocam vítimas mortais

A região metropolitana do Rio de Janeiro, Brasil, teve pelo menos 214 tiroteios ou disparos de arma de fogo no mês de julho, segundo dados avançados no Relatório Mensal do Instituto Fogo Cruzado, entidade brasileira que “produz dados sobre violência armada e coloca a tecnologia a serviço da preservação da vida”.

Os tiroteios deixaram 149 pessoas baleadas: 62 delas mortas e 87 feridas. Os números indicam que em 70% dos tiroteios mapeados no mês houve mortos ou feridos. Em média, é como se sete em cada dez tiroteios terminassem com mortos ou feridos.

Considerando somente as ações e operações policiais, o mês foi ainda mais violento. Dos 86 tiroteios ocorridos nessas circunstâncias, 98% deles terminaram com mortos ou feridos.

“Os dados deste mês demonstram o descontrolo da segurança pública no Estado. Os tiroteios deixam muitas vítimas pelo caminho e isso reflete-se em outros indicadores, como balas perdidas ou crianças e adolescentes atingidos. É preciso investir numa política de segurança que tire a população da linha de tiro para evitar que mais vítimas entrem para essa triste estatística do Rio de Janeiro”, avaliou Carlos Nhanga, coordenador do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro.

As balas perdidas também trouxeram preocupação. Em julho deste ano o número de vítimas subiu de três (todas mortas) para 11 (quatro mortas e sete feridas) em comparação com julho de 2022. Das 11 vítimas de balas perdidas registadas no mês, oito foram atingidas em ações e operações policiais, duas morreram e seis ficaram feridas. Em julho de 2022, das três vítimas de balas perdidas, uma foi morta em ação e operação policial.

Durante o mês de julho, houve queda de 27% nos tiroteios, de 35% nos mortos e aumento de 32% entre os feridos em comparação com o mês de junho, que concentrou 292 tiroteios, 95 mortos e 66 feridos.

Entre as datas impactadas pela violência armada no mês de julho, os dias 6 e 7, com 12 registos, concentraram o maior número de tiroteios; O dia 1, com oito vítimas, concentrou o maior número de mortos; e o dia 19, com oito vítimas, acumulou o maior número de feridos.

Oito pessoas foram baleadas durante roubos ou tentativas de roubo: uma morreu e sete ficaram feridas. Em julho de 2022, 22 pessoas foram baleadas durante roubos ou tentativas de roubo: 11 morreram e 11 ficaram feridas.

Uma criança foi morta a tiro em julho deste ano no Grande Rio. No mesmo período de 2022 também houve uma criança morta a tiro. Quatro adolescentes foram baleados no Grande Rio: dois deles morreram e dois ficaram feridos. Em julho de 2022 também houve quatro adolescentes baleados: três adolescentes morreram e um ficou ferido. Um idoso foi morto a tiro e outro ficou ferido em julho deste ano. No mesmo período de 2022, um idoso foi morto a tiros.

Ao todo, 16 agentes de segurança foram baleados no Grande Rio: três morreram (dois fora de serviço/de folga e um era aposentado/exonerado) e 13 ficaram feridos (cinco em serviço e oito fora de serviço/de folga). Em julho de 2022, 14 agentes de segurança foram baleados: seis morreram (dois em serviço, três fora de serviço/de folga e um era aposentado/exonerado) e oito ficaram feridos (quatro em serviço, três fora de serviço/de folga e um era aposentado/exonerado).

Houve duas chacinas no Grande Rio em julho, deixando seis mortos no total. Uma das chacinas mapeadas em julho deste ano ocorreu em ação/operação policial, deixando três mortos no total. Em julho de 2022, sete chacinas ocorreram no Grande Rio deixando 37 mortos no total. Seis delas se deram em ações e operações policiais, deixando 34 mortos no total.

Em 2023, entre janeiro e julho, houve dois mil tiroteios ou disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio de Janeiro, ainda segundo o Instituto Fogo Cruzado. 760 destes registos ocorreram durante ações ou operações policiais. Ao todo, 1.262 pessoas foram baleadas neste período, das quais 642 foram mortas e 620 ficaram feridas. Comparado ao mesmo período de 2022 – que concentrou 2.178 tiroteios, sendo 695 em ações/operações policiais e 1.145 pessoas baleadas, sendo 600 mortos e 545 feridos -, o ano de 2023 apresenta até agora queda de 8% nos tiroteios; o número de tiroteios durante ações/operações policiais teve aumento de 9%; o número de mortos teve aumento de 7%; e o número de feridos um aumento de 14%.

Ígor Lopes

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *




Artigos relacionados

Macau: Região vai receber cinco modalidades dos Jogos Nacionais da China em 2025

Macau: Região vai receber cinco modalidades dos Jogos Nacionais da China em 2025

A comissão organizadora da 15ª edição dos Jogos Nacionais anunciou que a Região Administrativa Especial de Macau vai acolher as…
Moçambique: MDM continua sem data para realizar o Conselho Nacional

Moçambique: MDM continua sem data para realizar o Conselho Nacional

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) ainda não marcou uma data para realizar o Conselho Nacional. No entanto, o partido…
Universidades vão ter “semestre zero” para alunos dos PALOP

Universidades vão ter “semestre zero” para alunos dos PALOP

O estudo “Perfil do Estudante dos PALOP nas Instituições do Ensino Superior em Portugal: caracterização, expectativas, constrangimentos”, realizado pelo Centro…
Angola poupa 15 milhões de euros ao reduzir contratos de professores estrangeiros

Angola poupa 15 milhões de euros ao reduzir contratos de professores estrangeiros

O Ministério do Ensino Superior de Angola informou que o Governo vai poupar, em 2024, cerca de 15 milhões de…