O governo interino de Michel Temer apresentou uma nova meta fiscal para o ano de 2016, aprovada pelo Congresso Nacional, que prevê um déficit de R$ 170,5 mil milhões, valor que está acima do que foi anunciado pela ex-presidente Dilma Rousseff.
“O número foi fechado com muita responsabilidade e com a preocupação de tratar de forma verdadeira o quadro atual da economia”, afirmou fonte governamental do ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.
De acordo com essa pasta, o objetivo agora é trabalhar com dados realistas para evitar novas revisões nas projeções.
“A previsão de aumento das despesas levou em conta a renegociação da dívida dos estados, restos a pagar, obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a retomada e ampliação de obras em estradas e gastos nas áreas da saúde e defesa. Do lado das receitas, foi concluído que haviam sido superestimadas”.
Os números apresentados fizeram a cotação do real cair em relação ao dólar, fazendo aumentar a inflação e, por consequência, acabam por interferir no cotidiano da população brasileira. A resolução no caos político está, para já, longe de trazer melhorias na área da saúde, educação e emprego.
O dinheiro nas contas bancárias dos cidadãos é também cada vez mais escasso, o que faz com que a sociedade aposte nas linhas de crédito, o que é comprovado pela recente pesquisa da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio RJ), que mostra que consumidores preferem cada vez mais o cartão de crédito na hora das compras.
Essa mesma entidade divulgou nota sobre as medidas económicas anunciadas pelo Governo Federal, na qual diz ser preciso defender medidas que tragam “alívio à economia nacional” e, ao mesmo tempo, que reduzam a “pressão sobre as contas públicas”.
“Para a Fecomércio RJ, a prioridade do Governo Federal deve ser o estímulo da atividade econômica e o estímulo ao empreendedor. As novas medidas, tomadas pelo Ministério da Fazenda, mostram que o Governo está alinhado com as demandas deste setor.
Mas mais do que isso, o pacote apresenta caminhos de longo prazo que devem trazer soluções para grandes problemas estruturais brasileiros, como o déficit da Previdência. Um ponto importante a salientar é que o Governo preferiu cortar despesas e obter novas receitas sem o expediente fácil da criação de impostos, que já asfixiam empresários e trabalhadores.
Por sua vez, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) defende que “restabelecer a confiança é chave para retomada da economia”.
“A expressão de ordem do novo governo tem sido a necessidade de se restabelecer a confiança de consumidores, empresários e investidores, a qual, por sua vez, está relacionada à capacidade da nova equipa de garantir a sustentabilidade da dívida pública”, afirma a FecomercioSP.
Segundo essa Federação, os indicadores de confiança parecem estar respondendo positivamente ao desfecho da crise política. O Índice de Confiança do Consumidor da FecomercioSP, por exemplo, subiu de 87,7 pontos em Abril para 90,9 pontos em Maio.
Apesar da queda no componente que mede a avaliação em relação às condições econômicas atuais (que recuou 8,7% em Maio e atingiu 47,4 pontos, o menor valor da série histórica), o índice de expectativas subiu 7,5% no mês e chegou a 119,9 pontos, o maior valor desde Novembro do ano passado.
A expectativa agora é que o governo comece a travar uma grande “batalha” para diminuir a dívida pública, ampliando ofertas de emprego e diminuindo gastos.
Outro dos pontos defendidos pela população e pelo empresariado brasileiro é o não aumento de impostos. Por enquanto, o aumento das taxas e tributos está fora dos planos da equipa econômica de Michel Temer.
Ígor Lopes






