Um novo estudo do grupo World Weather Attribution (WWA) conclui que a vaga de calor recorde de maio na Islândia e na Gronelândia foi intensificada em cerca de 3 °C pelas alterações climáticas causadas pelo homem. Temperaturas inéditas, como os 26,6 °C registados no aeroporto de Egilsstaoir, Islândia, e os 14,3 °C em Ittoqqortoormiit, na Gronelândia, superaram largamente as médias sazonais e provocaram consequências graves, como um degelo 17 vezes superior à média na Gronelândia.
A investigadora Sarah Kew, do Instituto Meteorológico Real dos Países Baixos, alertou que “até os países frios enfrentam agora riscos extremos”.
O fenómeno de amplificação do Ártico — onde o aquecimento ocorre ao dobro da média global — está a destabilizar comunidades tradicionais, especialmente os inuítes, cuja subsistência depende do gelo marinho estável.
A perda contínua desse gelo compromete a mobilidade, as zonas de caça e até tradições como o uso de cães de trenó.
Na Islândia, autoridades alertam para impactos inesperados como estradas a derreter e riscos acrescidos para pessoas com saúde vulnerável, num país até agora pouco exposto a ondas de calor.
A nível global, o degelo da Gronelândia acelera a subida do nível do mar e pode afetar a Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC), sistema essencial ao equilíbrio climático do planeta.
Segundo a cientista, evitar impactos ainda mais severos depende da eliminação urgente dos combustíveis fósseis: “Sabemos o que fazer. Temos a tecnologia. Falta vontade política.”
