As temperaturas elevadas registadas este verão em França aceleraram a maturação das uvas na região de Champagne, aumentando a concentração de açúcar e, consequentemente, o teor alcoólico natural dos vinhos. As autoridades autorizaram, por isso, produtores a ultrapassar temporariamente o limite habitual, chegando aos 15% de álcool.
A colheita deste ano começou a 6 de agosto, a mais cedo de sempre na região, e generalizou-se 11 dias depois. O Comité Champagne considera que, apesar das dificuldades provocadas pelo calor, as uvas apresentam qualidade suficiente para produzir vinhos de excelência.
O problema está sobretudo na quantidade. O Ministério da Agricultura francês estima uma quebra de cerca de 50% na produção face ao ano anterior. Os produtores poderão recorrer às reservas de vinhos de outras colheitas para compensar parte da redução.
O setor vê o fenómeno como um sinal das alterações climáticas. Segundo os responsáveis, colheitas tão antecipadas poderão tornar-se habituais dentro de 10 a 15 anos, obrigando os produtores a adaptar as características do champanhe ao novo clima.
