Num artigo publicado na revista científica Science, investigadores das Universidades de Bristol, Oxford e Yale indicam que a urbanização tem sido um “ângulo morto” no combate às alterações climáticas e apelam ao trabalho conjunto para mudanças na governação global, visando enfrentar o impacto “devastador” da expansão urbana nas alterações climáticas e evitar uma “catástrofe planetária”.
Através da investigação, os cientistas consideram que a questão da urbanização não tem tido a atenção necessária, verificando-se a ausência de contributos importantes e soluções inovadoras nesta temática. A falta de consulta e ausência de discussão nos fóruns globais de elaboração de políticas levou os cientistas a proporem um novo sistema de aconselhamento global, que teria uma função semelhante à do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas das Nações Unidas. O “sistema de aconselhamento em Ciência Urbana” trabalharia em conjunto com a Assembleia Geral da ONU para destacar questões relevantes e colocar as informações mais recentes sobre o impacto do crescimento urbano nos radares dos líderes políticos.
“Há um enorme ‘ângulo morto’ quando se trata de olhar para o impacto devastador que o vasto crescimento urbano tem no planeta“, disse a autora principal do trabalho, Jessica Espey. “É fundamental uma colaboração internacional muito maior para ajudar a gerir melhor o crescimento sustentável das nossas cidades e proteger os sistemas vitais da Terra, incluindo a água, o ar e a terra, dos quais todos dependemos”, acrescentou a investigadora.
As cidades estão a crescer a um ritmo sem precedentes e albergam mais de metade da população mundial, e com tendência a aumentar, sendo responsáveis por cerca de três quartos das emissões de dióxido de carbono (gases com efeito de estufa).
Além de agravarem as alterações climáticas e os problemas de qualidade do ar, as cidades também estão a remodelar os quatro principais sistemas da Terra: a hidrosfera, a atmosfera, a biosfera e a geosfera. A eliminação de resíduos, as emissões prejudiciais da indústria e dos transportes e a expansão urbana contribuem para o declínio da biodiversidade. Os investigadores salientam que combater as alterações climáticas só é possível se houver articulação na forma como se projeta, constrói financia e gere as cidades em todo o mundo.
