A Europa está a sofrer uma vaga de calor precoce e intensa, com temperaturas a atingirem os 46,6 °C em Portugal e a provocar a emissão de alertas vermelhos em 16 departamentos em França. O fenómeno, alimentado por um “domo de calor” que aprisiona ar quente do norte de África, levou a fecho de locais turísticos (como o topo da Torre Eiffel e restrições ao trabalho ao ar livre em Itália), desencadeou incêndios florestais em países como Espanha, Grécia e Turquia, e causou várias vítimas mortais — pelo menos oito mortos confirmados, centenas hospitalizados e mais de 50.000 evacuados na Turquia .
Já na América Latina, a situação contrasta fortemente: uma forte anomalia fria tem-se feito sentir no hemisfério sul. Argentina, Chile e Uruguai registaram quedas de temperatura entre 10 e 15 °C abaixo dos valores esperados para esta época, com mínimas a chegarem a −15,7 °C na Patagónia chilena. Neve fora de época caiu em várias zonas e surgiram alertas de geadas prejudiciais nas culturas agrícolas.
Esta divergência meteorológica entre hemisférios ilustra, segundo a Organização Meteorológica Mundial, o impacto dramático das alterações climáticas: enquanto no Norte se enfrentam ondas de calor mais duras, frequentes e mortíferas, no Sul vivem-se rompantes frios extremos que também ameaçam a agricultura e a segurança alimentar.
