Foto: divulgação/Fiamini
A expansão de datacenters para atender à demanda crescente por inteligência artificial pode aumentar a pressão sobre os recursos hídricos no Brasil, especialmente no eixo São Paulo-Campinas. Nessa região, parte das instalações está concentrada em bacias que já enfrentam estresse hídrico.
Mais de 80 dos cerca de 200 datacenters em funcionamento no país estão nessa região, segundo Fabiano Bezerra Menegidio, pesquisador e professor da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Entre as áreas afetadas estão as bacias do Alto Tietê e dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ).
O consumo de água ocorre, sobretudo, nos sistemas de refrigeração destinados ao controle térmico dos equipamentos. Essa demanda tende a crescer conforme aumenta a capacidade computacional exigida por aplicações de IA.
A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que o consumo global de água pelos datacenters, atualmente em cerca de 560 bilhões de litros por ano, poderá atingir 1,2 trilhão de litros em 2030.
Menegidio afirma que a expansão exige uma avaliação dos efeitos cumulativos sobre os recursos hídricos e um planejamento que considere as condições das bacias onde os empreendimentos são instalados.
Mudanças nos sistemas de refrigeração podem reduzir o consumo. Entre as alternativas, destacam-se circuitos fechados, nos quais a água é recirculada, e a refrigeração líquida aplicada diretamente nos chips. Segundo o pesquisador, sistemas desse tipo podem economizar mais de 125 milhões de litros de água por ano em uma única instalação.
O controle automatizado da temperatura e a separação dos corredores, onde circulam ar quente e frio, também podem diminuir a necessidade de refrigeração e o uso de recursos durante a operação.
Ígor Lopes
