Investigadores da Universidade de Kyushu, no Japão, identificaram um composto capaz de reforçar a actividade de uma proteína essencial à reparação muscular, abrindo uma possível nova via para combater a perda de massa e força muscular associada ao envelhecimento. A descoberta, publicada na revista científica Scientific Reports a 4 de Novembro de 2026, demonstrou que a substância pode aumentar para mais do dobro a capacidade da proteína de se ligar a um receptor celular importante para a regeneração dos músculos.
A investigação, liderada pelo professor Ryuichi Tatsumi, centrou-se no factor de crescimento dos hepatócitos (HGF), uma proteína que desempenha um papel fundamental na activação das células estaminais musculares, responsáveis pela reparação dos tecidos danificados. Com o envelhecimento, esta proteína pode sofrer uma alteração química denominada nitração, que compromete a sua capacidade de se ligar ao receptor c-met e, consequentemente, de activar o processo de regeneração muscular.
A equipa testou dois compostos com propriedades antioxidantes, o trissulfureto de glutationa (GSSSG) e o trissulfureto de ácido lipóico (LASSS). Embora ambos tenham reduzido a alteração química prejudicial da proteína em experiências laboratoriais, apenas o LASSS conseguiu aumentar significativamente a ligação entre o HGF e o receptor c-met. Os investigadores designaram a versão reforçada da proteína por «Super HGF», considerando que poderá apresentar maior resistência aos danos associados ao envelhecimento.
Os cientistas realizaram também experiências em ratinhos submetidos a suspensão pela cauda, um método utilizado para estudar a atrofia muscular provocada pela redução da actividade física. Os animais que receberam LASSS apresentaram níveis significativamente inferiores de nitração do HGF nos músculos. Contudo, os investigadores esclarecem que os ensaios demonstraram protecção da proteína, mas ainda não comprovaram uma recuperação da massa muscular ou um aumento da força física.
A descoberta poderá contribuir para o desenvolvimento de futuras estratégias destinadas a preservar a mobilidade e a independência durante o envelhecimento, bem como a apoiar a recuperação muscular após períodos prolongados de imobilidade. No entanto, serão necessários novos estudos em animais envelhecidos para avaliar a eficácia e a segurança do composto antes de se considerar qualquer aplicação clínica em seres humanos.
