Um projeto piloto inovador no Reino Unido demonstrou que a música pode ser uma ferramenta poderosa no cuidado de pessoas com demência, reduzindo sintomas de angústia sem o uso de medicamentos. A iniciativa, conhecida como MELODIC, foi implementada em duas enfermarias do NHS (Serviço Nacional de Saúde) e liderada por investigadores da Universidade Anglia Ruskin (ARU), em parceria com o Cambridgeshire and Peterborough NHS Foundation Trust.
A intervenção envolveu musicoterapia ao vivo, personalizada e integrada nas rotinas clínicas, com terapeutas treinados a trabalhar diretamente com pacientes e equipas médicas. Os resultados, publicados na revista Frontiers in Psychiatry, mostraram melhorias na qualidade de vida e uma redução no sofrimento de pacientes internados com quadros avançados de demência.
Embora tenha havido um ligeiro aumento nos níveis de agitação, não foram registados efeitos adversos, o que reforça a viabilidade e segurança do método. O custo mensal da intervenção foi considerado baixo (cerca de £2.400), tornando o modelo potencialmente escalável para outras unidades hospitalares.
A autora principal do estudo, Naomi Thompson, destaca que a música oferece uma alternativa compassiva e eficaz aos medicamentos psicotrópicos, frequentemente usados para controlar sintomas em ambientes hospitalares.
Para o Dr. Ben Underwood, psiquiatra consultor do NHS, a musicoterapia traz “esperança real” para um cuidado mais humano e digno.
O projeto é considerado um passo promissor para transformar os cuidados com a demência, num momento em que o número de diagnósticos continua a crescer em todo o mundo.
