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Investigadores desenvolvem processo que transforma resíduos plásticos em hidrogénio limpo com captura de carbono

Uma equipa internacional de investigadores desenvolveu um novo processo químico capaz de transformar resíduos plásticos não seleccionados em hidrogénio de elevada pureza, capturando simultaneamente a maior parte do carbono libertado durante a reacção.

A tecnologia, desenvolvida por cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e da Universidade Feminina Ewha, na Coreia do Sul, poderá contribuir para reduzir a poluição por plástico e apoiar a transição para fontes de energia mais limpas.

O método permite converter três dos plásticos mais utilizados no mundo — tereftalato de polietileno (PET), polietileno (PE) e polipropileno (PP) — sem necessidade de separação prévia por tipo, uma das principais limitações da reciclagem convencional. Actualmente, apenas cerca de 9% dos resíduos plásticos são reciclados, enquanto a maioria acaba em aterros ou é incinerada, libertando gases com efeito de estufa.

Publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, o estudo apresenta uma técnica denominada tratamento térmico alcalino (TTA), que utiliza hidróxido de sódio para desencadear reacções químicas capazes de produzir hidrogénio. O processo funciona a temperaturas entre 300 e 400 graus Celsius inferiores às utilizadas na gaseificação tradicional, reduzindo significativamente o consumo energético.

Durante a transformação, o carbono presente nos plásticos é capturado em vez de ser libertado para a atmosfera como dióxido de carbono. As análises realizadas pelos investigadores indicam que mais de 75% do carbono original foi convertido em compostos estáveis, como carbonatos sólidos ou resíduos orgânicos líquidos, enquanto menos de 13% passou para a fase gasosa.

Os investigadores tiveram ainda de desenvolver um pré-tratamento para tornar mais eficaz a decomposição do polietileno e do polipropileno, plásticos mais resistentes às reacções químicas.

Apesar dos resultados promissores, a tecnologia ainda necessita de mais testes antes de poder ser aplicada em larga escala, mas a equipa considera que poderá representar uma solução inovadora para combinar a redução dos resíduos plásticos com a produção de hidrogénio limpo e o desenvolvimento da economia circular.

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