Os recursos mundiais de urânio são suficientes para responder ao crescimento previsto da energia nuclear até 2050, mas será necessário manter investimentos contínuos na exploração e no desenvolvimento de minas para garantir a segurança do abastecimento. A conclusão consta do relatório «Urânio 2026: Recursos, Produção e Procura», conhecido como «Livro Vermelho», publicado conjuntamente pela Agência de Energia Nuclear da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), a 14 de Setembro, em Viena, na Áustria.
De acordo com o documento, os recursos de urânio identificados e recuperáveis a custos inferiores a 260 dólares por quilograma ultrapassam 8,1 milhões de toneladas em todo o mundo, representando um aumento de 2,1% face à edição anterior. Este volume é considerado suficiente para satisfazer até o cenário de maior procura projectada até 2050. No entanto, as organizações alertam que a existência de recursos não garante, por si só, a sua transformação em combustível disponível para os reactores nucleares.
O relatório indica que, em 1 de Janeiro de 2025, estavam em funcionamento 418 reactores nucleares comerciais em todo o mundo, com uma capacidade líquida combinada de 378 gigawatts eléctricos. Estas instalações exigiam cerca de 64.500 toneladas de urânio por ano. Com a expansão prevista da energia nuclear, as necessidades anuais poderão aumentar para valores entre 84.800 e 143.900 toneladas até 2050, consoante o cenário de crescimento considerado.
A produção mundial de urânio registou igualmente uma evolução positiva, aumentando cerca de 20% em 2023 e 2024, em comparação com os dois anos anteriores, para mais de 116 mil toneladas. Em 2024, a produção atingiu 61.924 toneladas, o valor mais elevado desde 2016. O crescimento resultou sobretudo da reactivação de capacidades anteriormente paradas e da expansão de minas existentes, particularmente no Canadá. Apesar dos progressos, nenhum novo projecto mineiro de urânio iniciou a produção durante o período analisado.
Os investimentos globais na exploração e no desenvolvimento de minas ultrapassaram 1,78 mil milhões de dólares em 2023 e 2024, um aumento de aproximadamente 46% face ao período de 2021-2022. Ainda assim, o relatório sublinha a necessidade de acelerar o desenvolvimento de novos projectos, tendo em conta que a abertura de minas pode demorar entre 15 e 20 anos. Para as duas organizações, a manutenção de preços sustentáveis e de contratos de longo prazo será fundamental para estimular novos investimentos, melhorar as técnicas de extracção e garantir o fornecimento de urânio perante o crescimento da procura mundial de energia nuclear.
