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Calor extremo poderá marcar Mundial 2026, alerta ONU

O Campeonato do Mundo de Futebol de 2026 poderá ser fortemente afetado pelas temperaturas extremas, com cerca de um em cada quatro jogos previstos para decorrer sob níveis de calor considerados perigosos para os atletas, segundo um relatório apoiado pela ONU.

De acordo com a organização World Weather Attribution, 26 dos 104 jogos da competição, que decorrem nos Estados Unidos, Canadá e México, poderão ser disputados em condições de elevado stress térmico. Em cinco partidas, os valores poderão atingir níveis em que os especialistas recomendam o adiamento dos encontros para proteger a saúde dos jogadores.

O estudo indica que o calor extremo já está a mudar a forma como o futebol é jogado. Os atletas tendem a correr menos, reduzem os sprints e gerem melhor o esforço físico, tornando os jogos mais lentos e conservadores. Quase metade das partidas previstas apresenta risco significativo de impacto no rendimento desportivo devido às temperaturas elevadas.

Os adeptos poderão enfrentar riscos ainda maiores. Embora algumas infraestruturas disponham de sistemas de refrigeração, a maioria das zonas exteriores, incluindo áreas de convívio, linhas de acesso e percursos de transporte, expõem milhares de pessoas a longos períodos sob calor intenso. Das 16 cidades anfitriãs, apenas três estádios possuem ar condicionado.

O secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, Simon Stiell, afirmou que o aquecimento global provocado pela queima de combustíveis fósseis está a agravar estes fenómenos e defendeu uma transição mais rápida para energias limpas. Segundo as previsões, até 2050, 14 dos 16 estádios utilizados no Mundial poderão enfrentar condições de calor extremo que exigirão medidas de adaptação para garantir a realização segura dos jogos.

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