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Crise no Médio Oriente está a atrasar ajuda humanitária para milhões de crianças

A UNICEF alertou que a recente escalada do conflito no Médio Oriente está a provocar graves perturbações nas cadeias globais de abastecimento humanitário, afectando crianças em várias regiões do mundo. Quase 100 dias após o agravamento da crise, os custos de transporte aumentaram significativamente e os atrasos na entrega de bens essenciais tornam-se cada vez mais frequentes.

Segundo o chefe global de Transportes e Logística da UNICEF, Jean-Cedric Meeus, os desvios das rotas marítimas e o congestionamento dos portos estão a prolongar os prazos de entrega entre duas e quatro semanas, enquanto a redução da capacidade de carga aérea agrava ainda mais a situação. O resultado é um aumento dos custos operacionais que reduz os recursos disponíveis para vacinas, alimentos terapêuticos e outros materiais essenciais para as crianças.

O impacto já é visível em vários países. Na Nigéria, o transporte de seringas para uma campanha de vacinação contra a poliomielite dirigiu a 12 milhões de crianças custou mais 56% do que o previsto. No Mali, os custos do transporte internacional aumentaram 36%, colocando em causa programas de nutrição, saúde, educação e proteção infantil. No Afeganistão, novas rotas de abastecimento acrescentaram cerca de dois meses aos prazos de entrega de produtos nutricionais.

Apesar das dificuldades, a Agência das Nações Unidas afirma estar a reforçar rotas alternativas de transporte, a diversificar fornecedores e a expandir a produção local de alimentos terapêuticos. Em cooperação com outras agências da ONU, o UNICEF também conseguiu negociar a suspensão temporária de algumas sobretaxas de transporte, mas alerta que a continuidade da ajuda humanitária dependerá de uma maior estabilidade das cadeias de abastecimento globais.

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