Uma nova investigação científica sugere que uma simples alteração alimentar pode trazer alívio significativo a pessoas com doença de Crohn, uma condição inflamatória crónica do intestino. O estudo, divulgado a 3 de abril de 2026 pela Medicina de Stanford, indica que uma dieta de curta duração, aplicada durante apenas cinco dias por mês, foi capaz de melhorar rapidamente os sintomas e reduzir a inflamação em muitos pacientes.
A chamada “dieta que simula o jejum” consiste numa ingestão muito reduzida de calorias — entre 700 e 1.100 por dia — baseada em alimentos de origem vegetal. Durante o restante período do mês, os participantes retomam a sua alimentação habitual. No ensaio clínico, que envolveu 97 pessoas com doença de Crohn leve a moderada, cerca de dois terços dos que seguiram esta abordagem relataram melhorias claras no seu estado de saúde.
Para além da perceção de bem-estar, os investigadores observaram também mudanças biológicas relevantes. Houve uma diminuição significativa de marcadores inflamatórios, como a calprotectina fecal, associada à inflamação intestinal. As análises revelaram ainda uma redução na produção de sinais inflamatórios por parte das células imunitárias, sugerindo que a dieta pode atuar diretamente nos mecanismos da doença.
Apesar dos resultados encorajadores, os especialistas alertam que o estudo apresenta limitações, como a dificuldade em controlar rigorosamente os hábitos alimentares dos participantes. Ainda assim, consideram que esta abordagem pode ajudar a colmatar a falta de orientações claras sobre dieta para doentes com doença inflamatória intestinal, uma das questões mais frequentes colocadas aos médicos.
