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Dietas mais saudáveis podem reduzir em 85% as emissões agrícolas até 2050, revela estudo

A adoção global de dietas mais saudáveis poderá reduzir em 85% as emissões de dióxido de carbono associadas às alterações no uso dos solos agrícolas até 2050, segundo um estudo liderado pela Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (LSHTM) e publicado na revista Nature. A investigação conclui que uma alimentação com menor consumo de carne e maior aposta em alimentos de origem vegetal poderá transformar profundamente os sistemas alimentares, beneficiando simultaneamente a saúde pública e o ambiente.

De acordo com os investigadores, uma mudança para padrões alimentares mais equilibrados, acompanhada por uma agricultura mais eficiente e por uma redução do desperdício alimentar, permitiria diminuir a área global de terras agrícolas em cerca de 6% face às projeções atuais. O estudo estima ainda que a produção pecuária possa perder 42% do seu valor económico até 2050, com uma redução de cerca de 400 milhões de animais ruminantes, enquanto a produção de frutas, legumes, frutos secos e leguminosas poderá aumentar 57%.

Os autores sublinham que esta transformação teria importantes benefícios para a saúde. Com base nas recomendações da Comissão EAT-Lancet, uma transição para dietas saudáveis poderia evitar cerca de 15 milhões de mortes prematuras por ano. Além disso, ajudaria a reduzir os elevados custos económicos associados às doenças relacionadas com a alimentação e aos impactos ambientais do atual sistema alimentar mundial.

Apesar das vantagens apontadas, os investigadores alertam que a transição representará um desafio significativo para milhões de agricultores e produtores de alimentos. As mudanças terão impactos distintos entre regiões, com alguns países a registarem uma forte redução da produção pecuária e outros a beneficiarem de uma expansão da produção agrícola. Os autores defendem, por isso, que os governos preparem políticas de apoio que facilitem a adaptação do sector e protejam as comunidades mais dependentes da pecuária.

Os responsáveis pelo estudo salientam que os cenários apresentados não constituem previsões, mas sim modelos que permitem antecipar desafios e oportunidades. Na sua perspetiva, decisões políticas tomadas desde já serão determinantes para construir sistemas alimentares mais sustentáveis, resilientes e saudáveis, conciliando a proteção do ambiente com a segurança alimentar e o desenvolvimento económico.

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