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Dificuldades financeiras persistentes podem acelerar o envelhecimento do cérebro

Anos de dificuldades financeiras podem deixar efeitos duradouros na saúde cognitiva e cerebral, estando associados a um pior desempenho em testes realizados aos 53 anos e a mais sinais de envelhecimento cerebral entre os 69 e os 71 anos. A conclusão resulta de um estudo liderado por investigadores da University College London (UCL), publicado na revista Innovation in Aging.

A investigação analisou dados de 2.759 pessoas do Reino Unido acompanhadas ao longo de várias décadas através do MRC National Survey of Health and Development, uma das mais antigas coortes de nascimento do mundo. Os investigadores verificaram que participantes expostos de forma persistente a baixos rendimentos ou a dificuldades para fazer face às despesas apresentavam, em média, piores resultados nos testes de memória verbal e velocidade de processamento aos 53 anos. Num grupo que realizou posteriormente exames de ressonância magnética, os baixos rendimentos persistentes também estiveram associados a maior atrofia cerebral na velhice.

Os resultados mantiveram-se depois de serem considerados outros fatores que poderiam influenciar a saúde cerebral, como a capacidade cognitiva durante a infância, o nível de escolaridade e as condições socioeconómicas vividas nos primeiros anos de vida. Cerca de 16% dos participantes foram classificados como tendo tido baixos rendimentos persistentes, enquanto aproximadamente 12% apresentaram dificuldades financeiras persistentes, avaliadas através da pressão sentida para pagar contas e fazer face às despesas quotidianas.

Segundo os investigadores, o efeito poderá estar relacionado com o impacto acumulado do stress financeiro. A preocupação constante com dinheiro pode aumentar a carga cognitiva e consumir recursos mentais, enquanto o stress crónico pode contribuir para processos inflamatórios associados ao envelhecimento cerebral. A relação entre dificuldades financeiras e pior saúde cerebral foi particularmente forte entre homens, pessoas que enfrentaram desvantagens durante a infância e indivíduos portadores da variante genética APOE-ε4, associada a um maior risco de doença de Alzheimer.

Os autores sublinham, contudo, que o estudo identifica uma associação e não prova que as dificuldades financeiras sejam, por si só, a causa direta do envelhecimento cerebral. Ainda assim, defendem que a acumulação de adversidades económicas ao longo da vida adulta pode constituir um fator relevante para a saúde cognitiva na velhice. Para a equipa da UCL, políticas capazes de reduzir a pobreza persistente e apoiar pessoas em situação de dificuldade financeira poderão ter benefícios que se prolongam até às fases mais avançadas da vida.

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