Um estudo de longa duração sugere que entre 90 e 120 minutos de treino de força por semana podem estar associados a uma redução significativa do risco de morte prematura. A investigação, baseada em dados de quase 150 mil profissionais de saúde acompanhados durante até três décadas, concluiu que os benefícios são ainda maiores quando o treino de força é combinado com exercício aeróbico regular.
Os participantes que realizavam entre uma hora e meia e duas horas de treino de força por semana apresentaram um risco cerca de 13% inferior de morrer por qualquer causa, em comparação com aqueles que não praticavam este tipo de exercício. A associação foi particularmente expressiva nas mortes por doenças cardiovasculares, cujo risco foi 19% inferior, e nas mortes por doenças neurológicas, incluindo demência, com uma redução de 27%.
A investigação indica, contudo, que aumentar a duração do treino de força para além de aproximadamente duas horas semanais não esteve associado a uma redução adicional do risco de morte. Já a prática regular de exercício aeróbico, como caminhar, correr, andar de bicicleta ou nadar, apresentou benefícios próprios. Cerca de 150 minutos semanais de actividade aeróbica moderada estiveram associados a uma redução do risco de morte entre 26% e 43%.
A combinação das duas modalidades apresentou os resultados mais favoráveis. As pessoas que cumpriam níveis adequados de actividade aeróbica e acrescentavam entre uma e duas horas semanais de treino de força apresentaram uma redução de cerca de 45% no risco de morte. Os investigadores apontam que o desenvolvimento e manutenção da massa muscular pode contribuir para um melhor controlo da glicose no sangue, menor inflamação e melhor saúde cardiovascular, além de ajudar a preservar a força e a independência durante o envelhecimento.
Apesar dos resultados, os autores sublinham que o estudo é observacional e, por isso, não permite provar que o treino de força seja directamente responsável pela redução da mortalidade. Os hábitos de exercício foram igualmente comunicados pelos próprios participantes e a intensidade dos treinos não foi avaliada. Ainda assim, os investigadores consideram que os resultados reforçam a importância de incluir exercícios de fortalecimento muscular na actividade física regular, juntamente com exercício aeróbico.
