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Estudo revela alterações na produção de novos neurónios associadas à depressão

Um estudo da Universidade de Columbia encontrou evidências de que a produção de novos neurónios no hipocampo — processo conhecido como neurogénese — está comprometida em adultos com perturbação depressiva major. A investigação, publicada em agosto de 2026 na revista Nature Medicine, identificou também alterações moleculares extensas em circuitos cerebrais envolvidos na memória e nas respostas emocionais.

Os investigadores analisaram quase meio milhão de células cerebrais de pessoas com depressão e de indivíduos sem o transtorno, procurando perceber de que forma a doença afeta o hipocampo. Esta região desempenha um papel importante na memória episódica e na regulação das respostas emocionais e é uma das poucas zonas do cérebro adulto onde continua a ocorrer formação de novos neurónios.

Segundo os autores, a redução da neurogénese poderá estar relacionada com dificuldades na chamada separação de padrões, capacidade que permite distinguir experiências novas de memórias anteriores semelhantes. Quando este mecanismo funciona de forma deficiente, uma situação atual pode ser interpretada à luz de experiências negativas passadas, contribuindo potencialmente para uma perceção mais negativa dos acontecimentos.

A investigação revelou, contudo, que a depressão não parece afetar apenas a formação de novos neurónios. Foram identificadas alterações em genes relacionados com a criação de novas ligações entre neurónios, a comunicação entre células, a produção de energia e o transporte de materiais dentro das células. Os investigadores encontraram ainda sinais de inflamação e de stress celular no circuito trissináptico do hipocampo, uma das principais vias envolvidas na formação de memórias emocionais.

Os resultados podem abrir novas possibilidades para compreender e tratar a depressão, embora os investigadores sublinhem que ainda não está completamente esclarecido o mecanismo da neurogénese em seres humanos. A equipa pretende, no futuro, aprofundar a possibilidade de classificar a depressão de acordo com características moleculares específicas, à semelhança do que já acontece em algumas áreas da oncologia, procurando desenvolver tratamentos mais direcionados para diferentes formas biológicas da doença.

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