O crescimento do consumo de suplementos alimentares e alimentos funcionais está a transformar hábitos alimentares e a levantar novos desafios de segurança, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). Embora populares e amplamente disponíveis, esses produtos não estão isentos de riscos, alerta a agência.
A FAO destaca preocupações com interações medicamentosas, contaminação, toxicidade por excesso e reações alérgicas. Os compostos antioxidantes como resveratrol e quercetina, por exemplo, podem interferir com medicamentos como antidepressivos, antidiabéticos e tratamentos contra o cancro.
A rotulagem clara e a regulação adequada são apontadas como essenciais.
A agência recomenda que os produtos tragam advertências como “não exceder a dose diária recomendada” e “este produto não é um medicamento”, além de proibir alegações terapêuticas não comprovadas.
O relatório denuncia ainda a ausência de um padrão regulatório global.
Substâncias como a melatonina ou a vitamina D podem ser classificadas como suplementos num país e como medicamentos noutro.
No espaço lusófono, o Brasil é citado pela FAO como exemplo de regulação específica, através da Anvisa, que supervisiona a composição e comercialização destes produtos.
A automedicação, a falta de orientação profissional e a variabilidade na composição dos suplementos — influenciada por fatores como o método de extração ou o armazenamento — agravam os riscos.
Para a FAO, garantir a segurança e a qualidade destes produtos é essencial num mercado em expansão, cada vez mais influenciado pela nutrição personalizada.
A agência apela a mais fiscalização e à sensibilização dos consumidores para escolhas informadas.
