A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou que o agravamento do conflito no Estreito de Ormuz pode desencadear uma crise sistémica nos preços globais dos alimentos nos próximos seis meses. Segundo a agência, o impacto não se limitaria ao transporte marítimo, mas afetaria toda a cadeia agroalimentar, desde fertilizantes até à produção agrícola.
A FAO sublinha que o eventual bloqueio ou perturbação prolongada nesta rota estratégica de comércio energético e alimentar teria efeitos em cascata, elevando os custos de energia, fertilizantes e produção agrícola. Este processo acabaria por pressionar os preços das commodities agrícolas e aumentar significativamente a inflação alimentar em nível mundial.
O economista-chefe da organização, Máximo Torero, afirmou que uma janela para ações preventivas está a fechar rapidamente, defendendo maior cooperação internacional entre governos, instituições financeiras e setor privado. A FAO alerta ainda que as decisões tomadas agora pelos produtores e governos terão impacto direto na estabilidade dos mercados alimentares nos próximos meses.
Entre as medidas recomendadas, a agência destaca a necessidade de evitar restrições às exportações, garantir rotas comerciais alternativas e proteger os fluxos de ajuda humanitária. No prazo médio, defende também o reforço do acesso ao crédito agrícola, a diversificação de culturas e a melhoria da eficiência no uso de fertilizantes.
A longo prazo, a FAO propõe investimentos em sistemas alimentares mais resilientes, incluindo reservas regionais de alimentos, modernização da logística e maior utilização de tecnologias agrícolas sustentáveis. A organização alerta ainda que fenómenos climáticos como o El Niño podem agravar ainda mais a situação, tornando urgente uma resposta coordenada.
