A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apelou à aceleração das medidas de protecção da biodiversidade, defendendo que os sistemas agroalimentares devem assumir um papel central na concretização dos compromissos ambientais até 2030. O apelo foi apresentado durante a 17.ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP17), realizada em Erevã, na Arménia, onde foi analisado o progresso global na aplicação do Quadro Mundial para a Biodiversidade de Kunming-Montreal.
O director-geral adjunto da FAO, Godfrey Magwenzi, afirmou que, apesar do forte compromisso demonstrado pelos países, a execução das medidas continua demasiado lenta para alcançar as metas estabelecidas. Uma análise da organização indica que os sistemas agroalimentares estão relacionados com 63% das metas nacionais e 36% das acções identificadas nas estratégias e planos nacionais de biodiversidade. A FAO considera, por isso, essencial transformar os compromissos assumidos em resultados concretos nos sectores da agricultura, florestas, pescas e aquicultura.
Em 2025, a organização apoiou mais de 65 países na actualização e implementação das respectivas estratégias nacionais de biodiversidade. Através da iniciativa de apoio aos planos nacionais relacionados com a agricultura, estão em curso ou previstos trabalhos em 13 países, com cerca de 13,7 milhões de dólares mobilizados. Além disso, programas apoiados pela FAO permitiram a 91 países aceder a mais de 645 milhões de dólares em subvenções do Fundo Global para o Ambiente, complementados por 4,34 mil milhões de dólares em co-financiamento.
Durante a conferência foram também lançadas novas iniciativas para melhorar a monitorização da biodiversidade e apoiar a conservação dos ecossistemas. Entre elas estão o Centro Tecnológico de Erevã para a Monitorização da Biodiversidade, destinado a facilitar o acesso a dados, tecnologias e conhecimentos especializados, e uma plataforma global para apoiar medidas de conservação eficazes em áreas fora dos espaços formalmente protegidos. A FAO apresentou ainda orientações técnicas, ferramentas digitais e recursos para promover práticas agrícolas, florestais e piscatórias mais sustentáveis.
A organização alertou, contudo, para dificuldades no financiamento e na execução dos planos nacionais. Das estratégias analisadas, 84% identificam necessidades financeiras, mas apenas 44% quantificam os recursos necessários e 19% incluem acções relacionadas com os sistemas agroalimentares devidamente orçamentadas. A COP17 assinala o ponto intermédio entre a adopção do Quadro de Kunming-Montreal, em 2022, e o prazo de 2030, reforçando a urgência de acelerar a restauração dos ecossistemas, reduzir a poluição e proteger os recursos genéticos, os polinizadores e a biodiversidade essencial à segurança alimenta
