Duas doenças virais potencialmente fatais, o hantavírus e o ébola, voltaram a captar a atenção das autoridades de saúde devido aos riscos que representam para a saúde pública. Embora sejam causadas por vírus distintos e tenham formas de transmissão diferentes, ambas podem começar com sintomas semelhantes aos de uma gripe comum, dificultando o diagnóstico precoce e exigindo medidas rigorosas de prevenção e controlo de infeções.
De acordo com artigos recentemente publicados no Canadian Medical Association Journal (CMAJ), o hantavírus continua a ser uma ameaça relevante, sobretudo em zonas onde existe contacto com roedores. No continente americano, algumas variantes podem provocar a síndrome cardiopulmonar por hantavírus, uma doença grave que afeta os pulmões e o coração. A estirpe Andes, identificada na América do Sul, é particularmente preocupante por poder ser transmitida entre pessoas, uma característica rara entre os hantavírus.
Atualmente, não existe qualquer vacina ou tratamento antiviral específico aprovado para combater o hantavírus. Por essa razão, os cuidados médicos centram-se no tratamento dos sintomas e das complicações. Os especialistas recomendam medidas rigorosas de isolamento para casos suspeitos da variante Andes, bem como a notificação imediata das autoridades de saúde pública para limitar eventuais cadeias de transmissão.
Já a doença pelo vírus Ébola continua a surgir periodicamente em países da África Central e Ocidental. O surto atualmente em curso na República Democrática do Congo envolve o vírus Bundibugyo, cuja taxa de mortalidade pode variar entre 30% e 50%. A transmissão ocorre através do contacto direto com fluidos corporais de pessoas infetadas ou com superfícies contaminadas. Os sintomas mais comuns incluem febre, fadiga, dores musculares e problemas gastrointestinais, sendo que menos de metade dos doentes desenvolve hemorragias, uma das manifestações mais associadas à doença.
Apesar dos avanços registados nos últimos anos, nomeadamente com vacinas eficazes e tratamentos antivirais para algumas variantes do vírus Ébola, ainda não existem vacinas ou medicamentos aprovados para prevenir ou tratar infeções causadas pelo vírus Bundibugyo. Os especialistas alertam que a vigilância epidemiológica, o diagnóstico precoce e a aplicação rigorosa de medidas de proteção continuam a ser as ferramentas mais importantes para evitar surtos de grande dimensão e proteger a saúde pública global.
