A idade materna pode influenciar características físicas, comportamento e longevidade da descendência através de mecanismos que não alteram directamente a sequência do ADN, segundo um estudo realizado com rotíferos. Investigadores do Laboratório de Biologia Marinha encontraram indícios de que estes efeitos podem estar relacionados com alterações epigenéticas reversíveis na forma como os genes são activados ou desactivados.
A equipa liderada pela cientista Kristin Gribble estudou diferentes linhagens de Brachionus manjavacas, uma espécie de rotífero utilizada em investigação por se reproduzir rapidamente. Os resultados mostraram que os efeitos associados à idade da mãe não se agravavam necessariamente de forma progressiva ao longo das gerações e, em alguns casos, podiam desaparecer numa única geração.
Esta reversibilidade contraria a hipótese de que os efeitos da idade materna resultem sobretudo da acumulação de mutações ou de danos permanentes no ADN. Os investigadores apontam, em alternativa, para mecanismos epigenéticos, nomeadamente modificações das histonas, proteínas que ajudam a organizar o ADN e podem influenciar a actividade dos genes. A equipa está agora a testar se estas alterações são directamente responsáveis pelos efeitos observados.
O estudo também sugere que a influência da idade materna pode variar de acordo com as características genéticas da descendência. Numa das linhagens analisadas, por exemplo, os descendentes de mães mais velhas apresentaram uma maior esperança de vida, indicando que determinadas variantes genéticas poderão proteger contra efeitos negativos ou, em algumas circunstâncias, produzir resultados favoráveis.
Os investigadores pretendem perceber agora até que ponto estas informações biológicas podem persistir para além de uma geração e de que forma factores associados às mães, avós ou bisavós poderão influenciar os descendentes. Apesar de os resultados terem sido obtidos em rotíferos e não permitirem conclusões directas sobre seres humanos, a investigação pode contribuir para compreender melhor os mecanismos através dos quais o ambiente e a idade materna influenciam a saúde das gerações seguintes.
