Uma nova investigação liderada pela University College London está a transformar a abordagem ao tratamento do cancro colorretal, ao demonstrar que um curto ciclo de imunoterapia antes da cirurgia pode manter os doentes livres da doença durante vários anos. O estudo clínico NEOPRISM-CRC revelou resultados particularmente encorajadores em pacientes com estádios dois e três da doença.
Os participantes receberam nove semanas de tratamento com pembrolizumab antes da cirurgia, em vez da abordagem tradicional que combina cirurgia seguida de meses de quimioterapia. Após um acompanhamento de cerca de 33 meses, nenhum dos doentes apresentou recidiva, um resultado que contrasta com a taxa de recaída de cerca de 25% observada nos tratamentos convencionais.
Os investigadores verificaram ainda que 59% dos pacientes não apresentavam qualquer sinal de cancro detectável após a imunoterapia e a intervenção cirúrgica. Mesmo nos casos em que persistiam vestígios da doença, não houve progressão ao longo do tempo, sugerindo um efeito duradouro do tratamento no controlo tumoral.
Outro avanço relevante foi o desenvolvimento de testes sanguíneos personalizados capazes de identificar a presença de ADN tumoral. Esta ferramenta poderá permitir aos médicos avaliar precocemente a eficácia do tratamento e adaptar as terapias de forma mais precisa, identificando os doentes que necessitam de abordagens adicionais.
Apesar dos resultados promissores, os especialistas sublinham que o estudo envolveu um grupo específico de pacientes com determinadas características genéticas, pelo que serão necessários ensaios mais alargados. Ainda assim, esta abordagem poderá marcar um ponto de viragem no tratamento do cancro do cólon, abrindo caminho a terapias mais eficazes e menos invasivas no futuro.
