As mães em todo o mundo beneficiam, em média, de 196 dias de licença remunerada após o nascimento de um filho, enquanto os pais têm direito a apenas 25 dias, uma diferença de quase oito vezes que reforça a desigualdade na distribuição das responsabilidades familiares. Os dados constam de um relatório divulgado a 22 de outubro pela ONU Mulheres e pelo Grupo Banco Mundial, que alerta para os custos desta disparidade para as famílias, as crianças e as economias.
O estudo, intitulado Da licença parental aos serviços de cuidados infantis: construir sistemas de cuidados que funcionem para as mulheres, as famílias e as economias, revela que, entre as 190 economias analisadas, 66 não garantem qualquer licença parental remunerada aos pais. Entre as restantes, metade concede menos de duas semanas. As mães também enfrentam lacunas na protecção: em 61 economias, a licença de maternidade remunerada fica abaixo das 14 semanas recomendadas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), enquanto em seis não existe garantia de licença remunerada.
Segundo o relatório, a desigualdade prolonga-se para além dos primeiros meses de vida das crianças. Em média, as mulheres dedicam diariamente 2,5 vezes mais horas do que os homens ao trabalho de cuidados não remunerado, incluindo tarefas domésticas e assistência aos filhos. A ONU Mulheres considera que uma maior participação dos pais na licença parental pode contribuir para uma repartição mais equilibrada destas responsabilidades e reduzir a penalização profissional e salarial frequentemente associada à maternidade.
A participação dos pais nos cuidados está também associada a benefícios para as crianças, nomeadamente no desenvolvimento cognitivo, na linguagem, na regulação emocional e no comportamento. Além disso, o relatório destaca que cerca de um em cada quatro pais presta igualmente cuidados a familiares idosos, muitas vezes sem apoio suficiente. Uma maior oferta de serviços de assistência e de mecanismos de protecção social poderá, assim, aliviar a pressão sobre as famílias e facilitar a conciliação entre a vida profissional e pessoal.
Nyaradzayi Gumbonzvanda, directora executiva adjunta da ONU Mulheres, defendeu que os cuidados sustentam as famílias, as sociedades e as economias, mas continuam a recair desproporcionadamente sobre as mulheres. As agências das Nações Unidas apelam, por isso, à criação de sistemas de cuidados mais equitativos, com licenças parentais e para cuidadores adequadas e serviços acessíveis. A iniciativa surge na preparação do Dia Internacional do Cuidado e do Apoio, assinalado a 29 de outubro, e pretende promover uma maior participação dos homens nas responsabilidades familiares e combater estereótipos de género.
