A Organização Mundial da Saúde (OMS) manifestou preocupação com as recentes alterações na política de vacinação dos Estados Unidos, defendendo que a redução do calendário infantil anunciada pelo Governo norte-americano não é sustentada pelas evidências científicas disponíveis.
O alerta surge depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter assinado, na segunda-feira, uma ordem executiva que recomenda um calendário de vacinação infantil reduzido para 11 vacinas. A medida pretende, segundo a Administração norte-americana, aproximar os Estados Unidos de outros países desenvolvidos que recomendam um número menor de vacinas.
O director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que os calendários de vacinação não são definidos de forma arbitrária, mas resultam de dados científicos continuamente avaliados. Segundo a organização, o momento de administração de cada vacina é determinado tendo em conta a idade em que as crianças estão mais vulneráveis a determinadas doenças e o período em que a imunização oferece maior protecção.
A OMS rejeita igualmente a ideia de que adiar ou espaçar as doses torne a vacinação mais segura. Tedros voltou a defender que as vacinas, incluindo a tríplice viral contra o sarampo, a papeira e a rubéola, são seguras e não causam autismo. A organização considera que atrasar a imunização pode, pelo contrário, prolongar o período em que as crianças permanecem vulneráveis a doenças potencialmente graves.
A agência das Nações Unidas esclarece, contudo, que as suas recomendações não constituem um calendário único obrigatório para todos os países. As orientações servem de referência para as autoridades nacionais, que devem adaptá-las à circulação das doenças, às características dos sistemas de saúde e às necessidades das respectivas populações. A OMS defende que essas decisões devem continuar a basear-se em décadas de investigação e em avaliações realizadas por especialistas independentes.
