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OMS lança roteiro global para combater a hipertensão na gravidez

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e os seus parceiros lançaram um roteiro global para combater os distúrbios hipertensivos durante a gravidez, responsáveis por milhares de mortes maternas e neonatais todos os anos. Divulgado a 7 de Outubro, o documento estabelece orientações para melhorar a prevenção, o diagnóstico e o tratamento destas complicações, que continuam entre as principais causas de mortalidade materna e neonatal em todo o mundo.

Segundo a OMS, os distúrbios hipertensivos afectam entre 10% e 15% das gravidezes a nível mundial e estão associados a cerca de 16% das mortes maternas, provocando aproximadamente 42 mil mortes por ano, além de 500 mil nados-mortos e mortes de recém-nascidos. Entre as complicações mais graves destaca-se a pré-eclâmpsia, caracterizada pelo aumento da pressão arterial após a 20.ª semana de gestação e que pode colocar em risco a vida da mãe e do bebé.

Apresentado durante a Conferência Global da Sociedade de Medicina Materno-Fetal, o roteiro propõe uma abordagem coordenada que integra investigação científica, inovação, medicamentos, orientações clínicas, reforço dos sistemas de saúde e medidas políticas. O objectivo é garantir que todas as mulheres tenham acesso a cuidados adequados durante a gravidez, independentemente do país ou da região onde vivem.

A directora do Departamento de Saúde Sexual, Reprodutiva, Materna, Infantil, do Adolescente e Envelhecimento da OMS, Pascale Allotey, alertou que milhões de mulheres continuam sem acesso regular a serviços essenciais, como a medição da pressão arterial e medicamentos para prevenir ou controlar as complicações. A responsável sublinhou que a detecção precoce e o acesso a cuidados de emergência de qualidade são fundamentais para evitar consequências fatais.

O relatório alerta ainda para os efeitos a longo prazo da hipertensão na gravidez, que podem incluir doenças cardiovasculares, hipertensão crónica, acidentes vasculares cerebrais e problemas renais nas mães. As crianças também podem enfrentar maiores riscos de prematuridade e de doenças cardiovasculares e metabólicas. Perante este cenário, a OMS defende o reforço dos cuidados pré-natais, sobretudo nos países de baixo e médio rendimento, onde a pobreza, as crises humanitárias e o isolamento geográfico dificultam o acesso aos serviços de saúde.

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