A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que o calor extremo deve ser encarado como uma emergência de saúde pública e não apenas como um fenómeno meteorológico. O apelo surge numa altura em que a Europa, a região do mundo que aquece mais rapidamente, registou já cerca de 10 mil mortes em excesso relacionadas com o calor desde o início do verão, segundo dados recolhidos em cinco países.
O diretor regional da OMS para a Europa, Hans Henri P. Kluge, afirmou que o elevado número de vítimas demonstra a necessidade de uma resposta mais estruturada por parte dos governos. Para apoiar essa preparação, a organização publicou uma nova edição do guia para os Planos de Ação para o Calor e a Saúde, que recomenda medidas permanentes para reforçar a capacidade de resposta antes da chegada das ondas de calor.
O documento identifica oito áreas prioritárias, entre as quais a criação de sistemas de alerta precoce, a proteção das populações mais vulneráveis, o reforço dos serviços de saúde, a melhoria da comunicação com os cidadãos e a adaptação das cidades às temperaturas extremas. A OMS disponibilizou ainda orientações específicas para os setores da saúde, trabalho, educação, serviços sociais e planeamento urbano, bem como mensagens de saúde pública prontas a utilizar durante episódios de calor intenso.
A organização alerta que as ondas de calor colocam uma forte pressão sobre hospitais e centros de saúde, muitos dos quais não estão preparados para enfrentar temperaturas tão elevadas. Como exemplo de boas práticas, destaca o Hospital de Buhuși, na Roménia, que criou uma área climatizada para doentes com insolação, reforçou a formação dos profissionais de saúde e planeia instalar um sistema de refrigeração de elevada eficiência em todo o edifício.
A OMS recorda que, nos últimos quatro anos, o calor provocou mais de 200 mil mortes na Europa e que a mortalidade associada às altas temperaturas aumentou cerca de 30% nas últimas duas décadas. A organização defende que muitas destas mortes podem ser evitadas através de sistemas de alerta atempados, melhor acesso à água e à sombra, cidades mais resilientes e serviços de saúde preparados para responder às consequências das alterações climáticas.
