A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) classificou como «muito elevado» o risco de propagação do sarampo nas Américas, após registar 55.792 casos confirmados e 77 mortes entre 4 de janeiro e 3 de outubro de 2026. O número de infeções representa um aumento de 4,8 vezes face ao período homólogo de 2025, levando a organização a apelar ao reforço da vacinação e da vigilância epidemiológica.
A realização de grandes eventos religiosos na Argentina, no Peru e no Uruguai poderá contribuir para a circulação do vírus, devido à concentração de pessoas e às deslocações internacionais. A Guatemala apresenta o maior número de casos, seguida do México, dos Estados Unidos, do Peru e do Canadá. Estes cinco países concentram 99,5% das infeções confirmadas na região, enquanto o Brasil contabiliza pelo menos 39 casos notificados.
A Opas alerta também para o aumento global dos casos em 2026, que eleva o risco de importação de infeções e de transmissão em comunidades com baixa cobertura vacinal. As populações indígenas estão entre as mais vulneráveis, devido, entre outros factores, à subnutrição e às dificuldades de acesso aos serviços de saúde. Em 2025, cerca de 1,6 milhões de crianças nas Américas não receberam qualquer dose da vacina contra o sarampo.
A cobertura vacinal continua abaixo dos níveis necessários para prevenir surtos. No ano passado, a primeira dose da vacina contra o sarampo, a papeira e a rubéola chegou a 88% da população-alvo, enquanto a segunda dose alcançou 85%, aquém dos 95% recomendados. Apenas cerca de um quarto dos 43 países e territórios que comunicaram dados atingiu a cobertura necessária.
Perante este cenário, a Opas recomenda que as pessoas que planeiam viajar verifiquem o seu estado vacinal e que quem não tenha comprovativo de vacinação procure aconselhamento para receber a vacina, preferencialmente duas semanas antes da deslocação. A organização considera, contudo, que estas medidas devem ser acompanhadas por campanhas de imunização, identificação rápida de casos suspeitos e reforço do rastreio de contactos, de forma a travar a transmissão do vírus.
