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Ozempic e Wegovy podem retardar sinais de envelhecimento biológico, indica estudo

A semaglutida, princípio ativo dos medicamentos Ozempic e Wegovy, poderá ter um efeito adicional além da perda de peso e do controlo da diabetes: a capacidade de abrandar alguns processos associados ao envelhecimento biológico. A conclusão surge de um novo estudo liderado por investigadores da Universidade da Califórnia em San Diego, publicado na revista científica Nature Communications, que encontrou alterações favoráveis em marcadores moleculares de envelhecimento em adultos com VIH.

O estudo analisou dados de um ensaio clínico que envolveu 108 adultos com lipohipertrofia associada ao VIH, uma condição caracterizada pela acumulação excessiva de gordura, sobretudo na região abdominal. Cerca de metade dos participantes recebeu injeções semanais de semaglutida, enquanto os restantes receberam placebo. Para avaliar o impacto no envelhecimento, os investigadores utilizaram “relógios epigenéticos”, ferramentas que analisam alterações químicas no ADN relacionadas com a idade biológica das células.

Os resultados indicaram que os participantes tratados com semaglutida apresentaram uma redução no ritmo de envelhecimento biológico em vários indicadores associados à inflamação, saúde cardiovascular, metabolismo, fígado, rins e cérebro. Segundo os investigadores, o relógio epigenético DunedinPACE mostrou uma desaceleração de cerca de 9% no ritmo de envelhecimento, enquanto outro marcador associado ao risco de doenças relacionadas com a idade também apresentou melhorias significativas.

Os cientistas acreditam que estes efeitos podem estar relacionados com a capacidade dos medicamentos GLP-1 de reduzir a inflamação crónica, melhorar a saúde metabólica e diminuir a gordura visceral, um tipo de gordura acumulada à volta dos órgãos que está associada a processos inflamatórios. A semaglutida poderá ainda influenciar determinados mecanismos celulares envolvidos no envelhecimento, embora os investigadores ainda estejam a estudar como esses processos acontecem.

Apesar dos resultados promissores, os especialistas alertam que a semaglutida não deve ser considerada um medicamento antienvelhecimento. Os investigadores sublinham que são necessários estudos maiores e de longa duração para confirmar os efeitos, perceber quanto tempo podem durar e identificar quais as pessoas que mais poderão beneficiar. A equipa defende que futuras pesquisas deverão avaliar também a combinação destes tratamentos com hábitos saudáveis, como exercício físico, alimentação equilibrada e sono adequado, para perceber se podem contribuir para uma vida mais longa e saudável.

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