A epidemia de Ébola na República Democrática do Congo (RDC) continua a expandir-se, apesar dos progressos registados na resposta sanitária. Até 24 de Agosto, o país contabilizava 5.665 casos confirmados e cerca de 2.700 mortes, distribuídos por 58 zonas de saúde em seis províncias. Mais de 4.700 casos concentram-se na província de Ituri, no leste do país, considerada o epicentro da epidemia provocada pela variante Bundibugyo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que a transmissão continua muito activa, embora as medidas adoptadas tenham conseguido travar o ritmo de crescimento dos casos. A circulação das populações ao longo de importantes corredores mineiros e comerciais, incluindo zonas próximas das fronteiras com o Uganda, Sudão do Sul e República Centro-Africana, constitui uma das principais dificuldades para controlar a doença. A situação é agravada pelo elevado número de mortes ocorridas em casa, que dificultam o isolamento dos doentes e a identificação dos contactos.
A resposta enfrenta ainda graves problemas de segurança e de acesso às comunidades. Mais de 260 ataques contra profissionais de saúde foram registados nos últimos seis meses, tendo 160 trabalhadores contraído Ébola e 43 morrido. A instabilidade provocada por décadas de conflito no leste da RDC, os deslocamentos da população e a desconfiança em relação às autoridades dificultam igualmente o trabalho das equipas de saúde. Crianças com menos de cinco anos estão entre os grupos mais afectados, apresentando uma taxa de mortalidade próxima dos 70%.
Apesar das dificuldades, alguns indicadores da resposta melhoraram. O acompanhamento de contactos passou de cerca de 40% para 85%, enquanto mais de 22 mil contactos foram identificados. A capacidade de diagnóstico foi reforçada para cerca de três mil testes diários através de 21 laboratórios e cerca de 50 centros de tratamento dispõem actualmente de mais de 1.300 camas. No entanto, a variante Bundibugyo não dispõe de uma vacina especificamente aprovada nem de um tratamento autorizado, estando previstas novas investigações e ensaios clínicos.
A OMS alerta, contudo, que a falta de financiamento pode comprometer os progressos alcançados. A organização estima um défice imediato de 30 milhões de dólares para manter as operações logísticas e de outros 20 milhões para assegurar as cadeias de abastecimento na RDC. Enquanto a epidemia foi declarada terminada no Uganda, onde foram registados 20 casos, a situação congolesa continua a exigir uma resposta urgente, num contexto marcado pela violência, pela mobilidade das populações e por fortes limitações de recursos.
