As mortes provocadas pelo vírus Ébola na República Democrática do Congo (RDC) ultrapassaram as 2.000, segundo as autoridades locais, num surto que já contabiliza mais de 4.000 casos confirmados. Cerca de metade das mortes ocorreu nos últimos 20 dias, tornando o actual surto, causado pela variante Bundibugyo, o segundo maior e o de crescimento mais rápido de que há registo.
O surto foi declarado pelas autoridades congolesas a 15 de maio e classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como emergência de saúde pública de interesse internacional dois dias depois. A evolução da doença está a preocupar as autoridades, que temem que o vírus possa estar a sofrer mutações. Não existem actualmente vacinas ou tratamentos aprovados especificamente para esta estirpe.
A resposta está a ser dificultada pela violência no leste da RDC, onde grupos armados e o conflito entre as forças governamentais e o M23 limitam o acesso das equipas de saúde às populações afectadas. Pelo menos uma dúzia de unidades que tratam doentes com Ébola foram atacadas, enquanto a desinformação e a desconfiança das comunidades em relação às autoridades continuam a dificultar os esforços de contenção.
A situação humanitária agravou-se ainda mais após um ataque na província de Ituri, que terá provocado a morte de pelo menos 13 civis, além de sequestros e incêndios de habitações. Mais de 28 mil pessoas foram obrigadas a fugir, complicando a assistência às comunidades e aumentando o risco de propagação do vírus. A ONU alerta que entre 60% e 70% das mortes por Ébola ocorrem nas próprias comunidades, muitas vezes sem acesso atempado a cuidados médicos.
Perante o agravamento do surto, a OMS e os parceiros internacionais estão a reforçar a vigilância, os testes, a protecção das unidades de saúde e o envolvimento das comunidades. Ruanda, que ainda não registou casos da estirpe Bundibugyo, também está a preparar-se para uma eventual propagação através da fronteira. A ONU apelou às partes envolvidas no conflito para protegerem os civis e garantirem o acesso humanitário seguro e contínuo às populações afectadas.
