O desperdício de alimentos continua a ser um dos maiores desafios globais, com cerca de mil milhões de toneladas de comida descartadas todos os anos. O alerta foi reforçado pelas Nações Unidas no âmbito do Dia Internacional do Lixo Zero, assinalado a 30 de março, que este ano destaca a urgência de reduzir perdas alimentares em todo o mundo.
De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e a ONU-Habitat, o desperdício representa quase um quinto de todos os alimentos disponíveis para consumo humano. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que diariamente se deita fora comida suficiente para mil milhões de refeições, enquanto cerca de 9% da população mundial enfrenta a fome.
O impacto ambiental é igualmente significativo. O desperdício alimentar é responsável por cerca de 10% das emissões globais de gases com efeito de estufa e por uma fatia relevante das emissões de metano, contribuindo para a chamada “tripla crise planetária”: alterações climáticas, perda de biodiversidade e poluição.
Os dados indicam ainda que cerca de 60% do desperdício ocorre ao nível doméstico, o que evidencia falhas ao longo de toda a cadeia alimentar, desde a produção até ao consumo. Este cenário reforça a necessidade de mudanças estruturais nos sistemas alimentares, tornando-os mais eficientes e sustentáveis.
Perante este desafio, a ONU defende uma ação conjunta entre governos, empresas e cidadãos. Medidas simples, como planear compras, reduzir sobras e melhorar a gestão de alimentos, podem ter um impacto significativo. Iniciativas internacionais apontam para a meta de reduzir para metade o desperdício até 2030, sublinhando que combater este problema é essencial para garantir um futuro mais sustentável e justo.
