Investigadores da Universidade Estadual do Arizona demonstraram que pequenas melhorias na qualidade do solo podem reduzir drasticamente os danos causados por gafanhotos e duplicar a produção agrícola. Em colaboração com agricultores no Senegal, o estudo mostrou que o enriquecimento do solo com nitrogénio torna as plantas menos atrativas para os insetos, resultando em menos gafanhotos, menor destruição das culturas e colheitas significativamente maiores.
Na experiência, cada agricultor cultivou duas parcelas de painço: uma tratada com fertilizante nitrogenado e outra não tratada. As parcelas fertilizadas apresentaram uma redução evidente no número de gafanhotos, danos às folhas e, ao final da colheita, uma produção duas vezes superior à dos campos não tratados. Estes resultados confirmam que o equilíbrio nutricional das plantas, especialmente a relação entre proteínas e carboidratos, influencia diretamente o comportamento alimentar dos gafanhotos.
Embora o fertilizante tenha sido utilizado no estudo, os investigadores destacam que soluções mais sustentáveis, como a compostagem, produzem resultados semelhantes. Os agricultores senegaleses já adotaram esta prática, fertilizando os campos com resíduos orgânicos e reduzindo a dependência de químicos, ao mesmo tempo que melhoram a saúde do solo e o rendimento das culturas.
A líder do projeto, Arianne Cease, reforça que estas descobertas não têm apenas importância local. O estudo ajuda a compreender a gestão de pragas migratórias em todo o mundo, incluindo possíveis ameaças aos Estados Unidos, e oferece uma ferramenta comunitária prática e sustentável para aumentar a resiliência agrícola frente a enxames de gafanhotos.
