A solidão e o isolamento social estão associados à perda de vários anos de vida saudável, sobretudo no que diz respeito à saúde mental, segundo um estudo da Universidade de Tulane, nos Estados Unidos, publicado na revista científica Nature Communications a 10 de Outubro de 2026. A investigação concluiu que os homens que enfrentam simultaneamente estas duas situações podem perder cerca de 5,8 anos de vida sem depressão ou ansiedade, enquanto nas mulheres a redução estimada é de 3,7 anos.
O estudo analisou dados de 277.489 adultos, com idades entre os 40 e os 69 anos, que não apresentavam, no início da investigação, sete doenças crónicas graves: diabetes, doenças cardíacas, doenças pulmonares, demência, cancro, depressão e ansiedade. Os investigadores utilizaram os 50 anos como referência para estimar a associação entre a solidão, o isolamento social e o número de anos vividos sem estas doenças.
Os resultados revelaram igualmente efeitos na saúde física. As mulheres que experienciavam simultaneamente solidão e isolamento social apresentavam uma redução estimada de 2,4 anos de vida sem doenças físicas, enquanto nos homens a diferença era de 1,7 anos. A investigadora principal, Lu Qi, professora da Escola de Saúde Pública e Medicina Tropical Celia Scott Weatherhead, explicou que os resultados reforçam evidências anteriores sobre a relação entre a falta de ligações sociais, a mortalidade prematura e a saúde.
A investigação distinguiu ainda os dois fenómenos: o isolamento social corresponde à falta objectiva de contactos e relações sociais, enquanto a solidão representa a insatisfação subjectiva com a qualidade das relações, mesmo quando existe contacto frequente com outras pessoas. Os investigadores verificaram que hábitos saudáveis, como praticar exercício físico, manter uma alimentação equilibrada, dormir o suficiente e não fumar, estavam associados a uma redução dos efeitos negativos do isolamento social. Contudo, essas práticas não diminuíram significativamente os riscos adicionais associados à solidão.
Apesar dos resultados, os autores salientam a necessidade de aprofundar a investigação para determinar se a solidão e o isolamento social são causas directas dos problemas de saúde observados. A equipa pretende estudar outras populações e realizar ensaios clínicos para esclarecer essa relação. Nos Estados Unidos, um relatório de 2023 citado no estudo indicava que cerca de metade dos adultos sentia solidão e uma proporção semelhante vivia em situação de isolamento social, reforçando a importância de tratar estes fenómenos como questões de saúde pública.
