Documentos judiciais revelam que a Anthropic desenvolveu um projeto interno secreto, denominado Project Panama, para comprar, digitalizar e destruir milhões de livros com o objetivo de treinar o seu modelo de inteligência artificial, Claude. A empresa pretendia digitalizar entre 500 mil e dois milhões de livros em apenas seis meses e procurava manter a operação em segredo.
Os livros eram comprados em grandes quantidades, enviados para empresas especializadas, digitalizados através de equipamentos industriais e depois destruídos para reciclagem. Segundo os documentos, a Anthropic considerava que os livros forneciam texto de maior qualidade do que a internet, permitindo melhorar o desempenho dos seus modelos de IA.
Os documentos indicam ainda que, antes de adquirir livros legalmente, responsáveis da empresa recorreram a bibliotecas piratas, como a LibGen, para obter obras protegidas por direitos de autor.
As revelações surgiram no âmbito de uma ação coletiva movida por escritores. No mês passado, a Anthropic aceitou pagar 1,5 mil milhões de dólares (cerca de 1,3 mil milhões de euros) para encerrar o processo, num dos maiores acordos de direitos de autor de sempre. A empresa mantém, contudo, que o treino com livros adquiridos legalmente está protegido pelo princípio de fair use da legislação norte-americana.
