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Cientistas da Universidade de Hiroshima conseguem imprimir em 3D um dos metais mais resistentes do mundo

Investigadores da Universidade de Hiroshima, no Japão, desenvolveram uma nova técnica de impressão 3D capaz de produzir carboneto de tungsténio-cobalto (WC-Co), um dos materiais mais duros utilizados pela indústria, com menos desperdício de matéria-prima e maior eficiência de produção. O avanço poderá permitir a criação de ferramentas de corte e componentes industriais de elevada resistência a custos mais reduzidos.

O carboneto de tungsténio-cobalto é amplamente utilizado em ferramentas de corte, brocas, equipamentos de maquinação e aplicações sujeitas a elevado desgaste, devido à sua capacidade de suportar grandes pressões e utilização prolongada. No entanto, a sua produção convencional através de metalurgia do pó exige matérias-primas dispendiosas, como tungsténio e cobalto, e envolve processos complexos que podem gerar perdas significativas de material.

A equipa japonesa recorreu a uma técnica de fabrico aditivo, conhecida como irradiação a laser com fio quente, que combina um feixe de laser com um fio metálico previamente aquecido. Em vez de fundir completamente o material, o processo amolece o carboneto apenas o suficiente para permitir a sua deposição camada a camada, preservando a estrutura interna responsável pela sua elevada dureza.

Os testes demonstraram que o método conseguiu produzir carboneto cimentado de qualidade industrial, sem defeitos relevantes e com uma dureza superior a 1.400 HV (dureza Vickers), um valor que coloca o material entre os mais resistentes utilizados atualmente na indústria. Para ultrapassar dificuldades iniciais, os investigadores adicionaram uma camada intermédia de liga de níquel e controlaram rigorosamente a temperatura durante o processo, evitando alterações que poderiam comprometer a resistência do material.

Publicado no International Journal of Refractory Metals and Hard Materials, o estudo abre caminho para uma nova abordagem na fabricação de materiais extremamente duros. Os investigadores pretendem agora aperfeiçoar a técnica, reduzir o aparecimento de fissuras, produzir componentes com geometrias mais complexas e avaliar a possibilidade de aplicação industrial em larga escala, incluindo na produção de ferramentas de corte mais económicas e duráveis.

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