Nos últimos meses, uma sucessão de comunicados de despedimentos em gigantes tecnológicas levou a crer que a Inteligência Artificial (IA) é a grande culpada pela perda de milhares de empregos. Mas os analistas sublinham que a realidade é mais complexa.
Um estudo do portal Indeed mostra que as ofertas de trabalho na área da tecnologia caíram 36% desde 2020. Essa queda não se deve apenas à substituição de trabalhadores por IA – também marca o fim do recrutamento em massa durante a pandemia e um abrandamento geral do mercado laboral.
Embora muitas empresas justifiquem cortes com a “transformação digital” e a “crescente procura por IA”, os especialistas lembram que os despedimentos servem, em muitos casos, para libertar verbas para investir na própria tecnologia – uma aposta cara, que exige centros de dados, chips e enormes quantidades de energia.
Segundo o relatório do Indeed, os empregos de entrada – em marketing, recursos humanos ou apoio administrativo – são os mais afetados, porque muitas das suas tarefas podem ser automatizadas por ferramentas de IA generativa. Por outro lado, funções mais especializadas, como médicos, enfermeiros ou técnicos de remoção de materiais perigosos, estão entre as menos ameaçadas.
